PROFÍCUAS PARCERIAS

Gabaritados colunistas e colaboradores, de domingo a domingo, sempre com novos temas.

ZÉ RENATO - ENTREVISTA EXCLUSIVA

Com 40 anos de carreira, o músico capixaba faz uma retrospectiva biográfica de sua trajetória como instrumentista, compositor e intérpretes em diverso dos projetos nos quais participou.

QUEM FOI INALDO VILARIN?

Autor de canções como “Eu e o meu coração” (gravada por nomes como João Gilberto e Maysa), Inaldo Vilarin é mais um na triste estatística de um país sem memória

HANGOUT MUSICARIA BRASIL

Em novo canal no Youtube, Bruno Negromonte apresenta em informais conversas os mais distintos temas musicais.

domingo, 27 de maio de 2018

VAMOS FALAR DE DISCOS?

NOVO ÁLBUM DA CARIOCA ANNA RATTO MESCLA RITMOS PERNAMBUCANOS COM MÚSICA ELETRÔNICA

Disco contém um dos clássicos da banda Eddie, Pode Me Chamar Que Eu Vou, além de uma parceria com o percussionista Jam da Silva


Por Marina Simões


uma das canções, ela se permite expandir a relação com as músicas e timbres


Um dos clássicos da banda Eddie, Pode me chamar que eu vou, de Fabio Trummer, ganhou versão em samba-rock, reggae e beats eletrônicos pela cantora e compositora Anna Ratto. A faixa abre o disco Tantas, o quinto da carreira da carioca, lançado pela Biscoito Fino, e resultado dos esforços do trio formado por Anna Ratto, do DJ e baterista Marcelo Vig e guitarrista e produtor JR Tostoi. Eles se debruçaram em um laboratório musical mesclando ritmos pernambucanos a outras sonoridades e descobertas da música eletrônica.

"Amo a música cultural e folclórica misturadas com elementos contemporâneos. A sonoridade do disco traz uma impressão digital muito forte e ousadia nas experimentações", explica a artista em entrevista ao Viver. Com linguagens diversas, o fio condutor do trabalho é a voz e a interpretação da artista nas dez faixas. Tantas se divide em blocos e mostra seu lado festivo, intenso e as belas canções. "Ele abre um leque e o alcance de público. Vai conversar com outra galera, mas não deixa para trás quem já ouve meu som. Ele agrega mais gente", aposta.

As faixas foram trabalhadas em um processo de pesquisa, produção e gravações que durou cerca de dois anos, incluindo a gestação do primeiro filho de Anna nesse período. Em cada uma das canções, ela se permite expandir a relação com as músicas e timbres. Pernambuco aparece em Frevolenta, composta em parceria com o percussionista recifense Jam da Silva. A temática é voltada para o frevo, mas o som virou um baião eletrônico. "Ela é uma música de festa, mas tem um lado denso e emocional. Sobre a moça que é uma pimenta, gosta da vida, do frevo e da ciranda. Fala que o frevo da vida é pra se dançar. E é isso, não tem para onde correr”, elogia. Outra canção, Desbunde, também está no bloco das alegrinhas e conta com participação do cantor Carlos Posada, 'o pernambucano'. O artista nasceu na Suécia, mas cresceu no Recife e imprime toda a efervescência cultural da cidade nos seus trabalhos. 

Outro destaque vai para a canção Pra você dar o nome, assinada por Tó Brandileone, e um dos maiores sucessos do grupo 5 a Seco, que vem com arranjo diferente da original e será lançada nas rádios na voz da carioca. O disco ainda inclui dueto com João Cavalcanti, do Casuarina, e composições de Bruna Caram, Caio Prado, Ana Clara Horta e Rodrigo Cascardo. Para finalizar, a rebuscada Ana Luisa, de Rodrigo Maranhão, foi batizada com o nome da intérprete e tocada somente pelas cordas do Quinteto da Paraíba. “Pedi uma música e ele fez uma com meu nome de batismo. Levei um susto. Ela não é biográfica, mas fala das tantas mulheres que a gente pode ser na vida. Pode ser a Rosa, Ana, Maria ou Amélia”, explica a artista de como chegou ao nome da obra.

Ouça Pode me chamar que eu vou:



Entrevista // Anna Ratto - cantora e compositora carioca

Porque a escolha de uma música da banda Eddie?
Conheço a banda há muitos anos, já gostava e ouvia em festinhas alternativas na Lapa e no Circo Voador, mas nunca tinha pensado em gravar. Fazer releituras é uma característica e já regravei ídolos como Gil, Erasmo, Novos Baianos. Os produtores (Marcelo e JR Tostoi) sugeriram e eu comprei a ideia. Ficou muito diferente com uma voz feminina, o arranjo para cima, para abrir o disco festivamente. Tem tudo a ver com as coisas que ouço, esse flerte com os ritmos pernambucanos, o frevo e maracatu.


Como surgiu a parceria com Jam da Silva?
Ela é a única que tem minha autoria nesse disco. Não queria estar nesse lugar de compositora, queria ser canal para as músicas de autores que admiro. E o Jam é um deles. Pedi a para ele, como pedi para outras pessoas. Ele me mandou um trecho e incentivou: ‘Você não se anima de continuar?’ A inspiração veio na hora e rolou. Viajamos na ideia, trocamos mensagens por WhatsApp.


Como foi o processo de produção e gravação do disco?
Esse disco para mim é quase que um reinício, um novo momento de carreira. Vinha produzindo os outros trabalhos com Rodrigo Vidal, meu parceiro e amigo querido, a banda também era a mesma desde o início. E estava com muita vontade de mexer na estrutura do meu entorno. O artista precisa se questionar e identificar o que pode modificar para não se repetir. Sair daquela zona de conforto natural. Já vinha buscando elementos mais eletrônicos, um pouco da ousadia, mantendo a diversidade dos ritmos e a presença da musica brasileira com intervenções. Gravei o disco grávida e foi mais demorado. Tive o bebê, veio a licença maternidade e depois voltei para gravar as vozes. Durou 2 anos o processo todo e foi maravilhoso. Com o tempo ele foi ganhando mais sentido. É um disco muito nosso, não é só da cantora. Fomos um trio muito forte.

sábado, 26 de maio de 2018

PETISCOS DA MUSICARIA

Por Joaquim Macedo Junior



Riacho do Navio, caminho para o Pajeú; de lá ao São Francisco


O riacho do Navio é um curso d’água intermitente e afluente do rio Pajeú, atravessando o sertão pernambucano.

Sua fama se deve à música “Riacho do Navio”, composta por Luiz Gonzaga e Zé Dantas.

O riacho recebe esse nome por causa de uma pedra – na Fazenda dos Algodões, na zona rural de Floresta-PE, que lembra um navio.

A música propõe a filosofia de voltar para o simples, quando sugere que “se fosse um peixe” trocaria o imenso mar pela simplicidade do riacho do Navio. Para isso, porém, o tal peixe, mencionando na música, teria que nadar contra as águas.

Riacho do Navio – Luiz Gonzaga/Zé Dantas, com Gonzaga
Semana que vem tem mais.

A INVENÇÃO DO RECLAME NO RÁDIO

Do amadorismo ao profissionalismo na Rádio Clube: a história da propaganda paga em Pernambuco e a evolução dos custos

Por Silvia Bessa


Dono de voz bonita e muito elogiada pelo público da Rádio Clube de Pernambuco, o locutor alagoano José Renato foi o primeiro a observar e investir de forma profissional no mercado publicitário do final dos anos de 1930 e início da década de 1940 no Brasil. Estava um tanto impulsionado pelas circunstâncias. Em um efeito cascata, a Segunda Guerra forçou a compra de receptores especiais para notícias do exterior e a contratação de correspondentes estrangeiros. O fenômeno ampliou a folha funcional da emissora e exigiu a busca por novos financiamentos.

“Até então, a propaganda era obtida como um favor e fazia-se pedidos aos amigos. Muitas vezes do papel timbrado da firma ou do rótulo do produto, criava-se textos para serem lidos ao microfone”, narra o professor Luiz Maranhão Filho, uma das maiores autoridades quando se trata de rádio em Pernambuco.

Os corretores eventuais que saíam em busca de potenciais anunciantes tinham múltiplas funções e recebiam pequenas gratificações por levar, junto a seus ofícios, avisos para a Rádio Clube, a PRA-8. Eram funcionários públicos, despachantes, vendedores de seguros a dedicação era escassa, lembra Maranhão, no clássico livro Memória do rádio (Editora Jangada/1991). José Renato teve a ousadia de criar a Agência Norte Limitada, que acabou por ser a primeira a se dedicar sistematicamente a produzir publicidade no Recife. Contava a favor dele a popularidade já conquistada e a sua própria voz - um produto que era incluído como parte da venda. A agência criada por ele deteve por mais de um ano o monopólio dos chamados reclames.

Havia quem dissesse que Renato passou a ser onipresente em grande parte da programação da época. Quando não estava apresentando seus programas, a exemplo do Bola no Centro que tratava de futebol, fazia a locução de anunciantes. Promovia desde concursos e sorteios - modelos seguidos não só na Rádio Clube, mas em emissoras de rádio e TV de todo o país - até promoções de artistas em teatros e feiras livres.

A Festa da Mocidade era uma festa famosa em meados de 1930 e 1940, ao lado da Festa do Rubi. A Rádio Clube se envolveu na promoção de ambas. No caso da Festa da Mocidade, dedicou inclusive um programa ao evento, promovida pela Casa do Estudante de Pernambuco para bancar o custeio de alunos sem condições de sustento e para a construção de um edifício no bairro do Derbi.

A Festa da mocidade conseguia reunir milhares de pessoas no Parque Treze de Maio e aconteceu de 1936 a 1969. Reunia atrações musicais com apresentações teatrais, manifestações regionais como pastoris e mamulengos e até palco de lutas livres de boxe e greco-romanas.

O locutor José Renato fez escola. Logo o colega de microfone Luiz Ferreira Campos passou a utilizar o pseudônimo Ziul (o nome de Luiz ao contrário) Matos e em parceria com Generino Tavares fundaram a Agência Guararapes e lançaram os programas de auditórios. A partir de então, público duplicado, o negócio foi ampliado. Com a popularidade aumentada, os valores cobrados pelos reclames cresceram e passaram a se adaptar de acordo com o ambiente em que o anúncio era feito. Estava fundado um modelo de negócio que sustenta empresas de rádio até os dias de hoje.

Da Fratelli Vita ao Licor de Cacau Xavier

Os registros das primeiras propagandas transmitidas pela Rádio Clube são icônicos. Feitas ao vivo, a maioria dos textos era redigida e gravada pelos profissionais da rádio, conta Abílio Diniz, locutor experiente e que deixou uma das maiores memórias orais da Clube nas primeiras décadas. Contou Diniz a Renato Phaelante, pesquisador fonográfico e ex-funcionário da Fundaj, que se exigia dos radialistas voz bonita, dicção e articulação perfeitas. Mas imprevistos aconteciam. E, nesse contexto, o caso do licor é um bom exemplo.

Formal, o locutor teria como responsabilidade ler o seguinte texto: “Dê ao seu filho Licor de Cacau Xavier, mas, desavisado, caiu na esparrela promovendo: “Dê ao seu filho Lical de Cocô Xavier!” A Loterial Federal também passou por saias justas nos anos iniciais do reclame ao vivo.

Nos anos 30 antes da agência de José Renato fundar a agência de propagandas, eram Oscar Moreira Pinto, um dos fundadores, e Abílio de Castro, locutor da primeira geração, os responsáveis por conseguir anunciantes. Cabia a eles buscarem recursos para manutenção da rádio. Renato Phaelante chegou a conversar com Abílio de Castro e detalha como funcionava:

“Nós carreávamos grande volume de propaganda. Eu, principalmente. Havia casos interessantes como a Fratelli Vita e a Nova Aurora”. Segundo Abílio, esses dois anunciantes autorizavam a patrocinar qualquer figura extraordinária que aparecesse. “Fazíamos o programa, citávamos os patrocinadores e eles pagavam satisfeitos sem prévia autorização”.

sexta-feira, 25 de maio de 2018

CANÇÕES DE XICO



O PROFETA E O POETA


Um Profeta, sentado na esquina das lembranças, bebe seu vinho antevendo o futuro. Ao ver passar o Poeta, a este pede arrego e os dois, almas parelhas, percebem que a beleza repousa numa curva da estrada, na beira do rio. Resolvem desmanchar a noite e inventar o dia. Juntos. Desenham letras no chão e estas viram poesia aquietando o peito dos dois. Descobrem que o amor e a saudade moram na mesma cidade, no mesmo bairro, na mesma rua. Comem na mesma mesa, com a mesma faca, o mesmo pão no mesmo prato. Ao final da festa, dormem no mesmo leito. O amor e a saudade são irmãs siamesas. A alegria e a tristeza, também. O Profeta, tanto quanto o Poeta, sabe da vida e das coisas. De tudo sabem.

DUETO (CHICO BUARQUE E CLARA BUARQUE)

quinta-feira, 24 de maio de 2018

GRAMOPHONE DO HORTÊNCIO

Por Luciano Hortêncio*



"Matriz RGO-2280. Este samba também apareceu no LP "Sambas de ontem e de hoje"." (Samuel Machado Filho)



Canção: Era uma vez

Composição: Lina Pesce

Intérprete - Morgana Cintra

Ano - 1958

Disco - Copacabana 5.956-B


* Luciano Hortêncio é titular de um canal homônimo ao seu nome no Youtube onde estão mais de 10.000 pessoas inscritas. O mesmo é alimentado constantemente por vídeos musicais de excelente qualidade sem fins lucrativos).

FLOR DA IDADE, MÚSICA INESQUECÍVEL DE CHICO BUARQUE, DE 1973

Por Abílio Neto



Flor da idade é uma das melhores músicas de Chico. Fez parte da trilha sonora do filme “Vai Trabalhar, Vagabundo”, de Hugo Carvana, lançado em 03/12/1973, na fase mais tenebrosa da ditadura de 1964. Sobre a música, o livro “Gol de Letras” esclarece:

“Era imprevisível o que aconteceria a uma canção enviada à Policia Federal — e todas, evidentemente, tinham que passar por lá. Quase sempre era preciso argumentar e negociar com os censores. No caso de Chico, isso era feito através dos advogados da gravadora, porque ele, por princípio, se recusava a dialogar com a censura. A batalha, algumas raras vezes, dava certo. Na parte final de ‘Flor da idade’, por exemplo, baseada no poema Quadrilha, de Carlos Drummond de Andrade, uma vertiginosa ciranda de amores acaba por acasalar dois homens, Paulo e Juca, para o escândalo das autoridades. Em carta aos advogados, Chico citou o dicionário para argumentar que o verbo amar nem sempre tem conteúdo erótico. A música passou.” (Humberto Werneck, Gol de letras, em Chico Buarque Letra e Música, Cia da Letras, 1989)

Mas, no meu modo de entender, havia naquela letra uma frase de conteúdo mais grave para a tão decantada moral da família naquela época: “Pedro que amava tanto que amava a filha”.

E também não podemos esquecer: “A mesa posta de peixe deixa um cheirinho da sua filha”, na certa em alusão ao cheiro da genitália da jovem. Cheirinho de bacalhau como se dizia na época. Além disso, fazia apologia ao fresteiro. 

A música passou e a Censura, como se viu acima, era um monstro sem cabeça. Em disco de Chico, ‘Flor da Idade’ foi lançada primeiramente em 1975.

Chico Buarque continua como um dos maiores compositores da MPB de todos os tempos. Ele é genial, mas tem o direito de se enganar ainda com Lula e o PT. A sua obra é, sem dúvidas, bem maior do que sua opção política!




LETRA DE FLOR DA IDADE

A gente faz hora, faz fila, na Vila do Meio Dia
Pra ver Maria!
A gente almoça e só se coça e se roça e só se vicia
A porta dela não tem tramela, a janela é sem gelosia
Nem desconfia!
Ai, a primeira festa, a primeira fresta, o primeiro amor
Na hora certa, a casa aberta, o pijama aberto, a família
A armadilha!
A mesa posta de peixe deixa um cheirinho da sua filha
Ela vive parada no sucesso do rádio de pilha
Que maravilha!
Ai, o primeiro copo, o primeiro corpo, o primeiro amor
Vê passar ela, como dança, balança, avança e recua
A gente sua!
A roupa suja da cuja se lava no meio da rua
Despudorada, dada, a danada agrada andar seminua
E continua!
Ai, a primeira dama, o primeiro drama, o primeiro amor!
Carlos amava Dora que amava Lia que amava Léa que amava Paulo que amava Juca que amava Dora que amava... 
Carlos amava Dora que amava Rita que amava Dito que amava Rita que amava Dito que amava Rita que amava...
Carlos amava Dora que amava Pedro que amava tanto que amava a filha que amava Carlos que amava Dora que amava toda a quadrilha!

quarta-feira, 23 de maio de 2018

GEOGRAFIA DAS EXPRESSÕES

Um ensaio fotográfico sobre o homem e seus territórios, focando as expressões diversas dos indivíduos no cotidiano e em suas respectivas paisagens. 

Por Fábio Nunes





AI, MENINA (LIA SOPHIA)

terça-feira, 22 de maio de 2018

LENDO A CANÇÃO

Por Leonardo Davino*





O que é canção? Kiko Dinucci

Kiko Dinucci


- O que é você para você?
Canção é uma linguagem única, não é poesia cantada, nem prosa, nem música puramente, tem imagens, mas não é cinema, nem pintura, nem quadrinho. Uma canção tem o poder de unir todas essas coisas e ainda te deixar sensações e impressões diversas. Eu não sei explicar a grandeza da canção.

- De onde vem a canção?
Creio que a canção vem muito da fala, de como a acentuação natural dialoga com as melodias. Mas não é só isso. A fala talvez seja a primeira exteriorização da canção. Ela pode vir de uma sensação, de uma vontade, de várias matrizes de ideias.

- Para que cantar?
Para espantar os males. O homem canta desde que nasce, a fala é um canto, tem características melódicas, o primeiro choro de um bebê também é um canto. O homem vive cantando, muitas vezes nem percebe. Essa concepção está na canção Canto Em Qualquer Canto, de Ná Ozzetti e Itamar Assumpção.

- Cite 3 artistas que são referências para o seu trabalho. Por que estes? 
Itamar Assumpção, Paulo Vanzolini, Noel Rosa. Me influencio por eles pelo modo com que criaram o seu próprio jeito de fazer canção, um estilo, uma manifestação original personificada.






* Pesquisador de canção, ensaísta, especialista e mestre em Literatura Brasileira pela Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ) e doutor em Literatura Comparada, Leonardo também é autor do livro "Canção: a musa híbrida de Caetano Veloso" e está presente nos livros "Caetano e a filosofia", assim como também na coletânea "Muitos: outras leituras de Caetano Veloso". Além desses atributos é titular dos blogs "Lendo a canção", "Mirar e Ver", "365 Canções".

NA SELEÇÃO DA CANÇÃO, BRÁULIO DE CASTRO MERECE A CAMISA 10

O compositor pernambucano é o maior autor de canções dedicadas a um só time de futebol: o Santa Cruz

Por Bruno Negromonte


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Independente do time que o faz vibrar, o torcedor sensato reconhece a grandeza dos grandes adversários existentes e de sua relevância o cenário esportivo a partir de diversas características. Há times que mesmo não estando em evidência por conta dos maus resultados, continua com uma ascendente e fiel torcida a prestigiá-lo, não sendo levado em consideração a série em que o clube encontra-se presente. Um dos grandes times nacionais apresenta essas características é o Santa Cruz Futebol Clube, time fundado no início da noite de 3 de fevereiro de 1914, uma terça-feira, na casa nº2 da rua da Mangueira (hoje rua Leão Coroado, nas proximidades do Largo de Santa Cruz), no bairro da Boa Vista. Enquanto os outros clubes que destacavam-se no cenário local eram elitistas, o Santa foi um clube surgido na classe média, popular desde seu nascedouro, sendo um dos primeiros a aceitar negros, algo raro na época (o escudo do clube inclusive foi desenhado em 1915 por Teófilo Batista de Carvalho, conhecido por Lacraia, primeiro negro a defender o Santa Cruz). Somando a isso o time do estádio do Arruda vem somando os mais variados feitos ao longo dos mais de cem anos de existência: 45 títulos estaduais entre campeonatos pernambucanos, Copa Pernambuco e Torneio Início de Pernambuco; 1 Campeonato brasileiro da série C e 2 campeonatos de âmbito regional (1 Copa do Nordeste e 1 Torneio Hexagonal Norte-Nordeste) angariando assim a admiração e paixão de milhares de torcedores como Nélson FerreiraCapibaos Irmãos Valença os maestros Forró e Spok, Maciel MeloChico ScienceJackson do Pandeiro dentre outros.



Dentro da música popular brasileira vários foram os artistas que dedicaram canções aos clubes de coração a exemplo de nomes como o do compositor mais idolatrado dos gaúchos, o saudoso Lupicínio Rodrigues, autor em 1953 do hino Do Grêmio Foot-Ball Porto Alegrense. Além do Lupi pode-se citar outro relevante nome da composição brasileira: Lamartine Babo, considerado por muitos como um dos mais relevantes compositores de sua época. Eclético, Babo é autor, em parceria com Francisco Matoso, da clássica "Eu sonhei que tu estavas tão linda"; canções como "Joujoux e Balangandãs"  clássicos carnavalescos como "Linda morena", "Grau dez" (parceria com Ary Barroso), "Carnaval Brasil ou Hino do carnaval brasileiro" e a mais conhecida de todas composta em parceria com os irmãos Valenças: "O teu cabelo não nega". Ele também é responsável pelos hinos de 11 clubes do Rio de Janeiro: Flamengo, Vasco, Fluminense e Botafogo, além do América, Bangu, Madureira, Olaria, Bonsucesso, Canto do Rio e São Cristóvão. Reza a lenda que tudo teve início de modo bastante casual, quando no carnaval de 1945, ele compôs uma marchinha para o Flamengo (música que acabou virando o hino informal do time até hoje). Tal marchinha foi um estrondoso sucesso e isso acabou suscitando uma ideia no radialista Heber de Boscoli, que a frente do programa "Trem da Alegria", propôs Lamartine um desafio: a ideia de compor um hino por semana para todos os outros clubes de futebol que compunham o campeonato do Rio de Janeiro. Desafio aceito e cumprido, pois o resultado foi que no final da década de 1940 todos os 11 times que disputavam o Campeonato Carioca já tinham os seus respectivos hinos compostos por Babo.

Manancial de inspiração e também de amor ao futebol, em especial ao pernambucano, Bráulio de Castro é, sem sombra de dúvidas, também um compositor de merecido destaque quando relacionamos a sua obra a esse esporte que é considerado uma paixão nacional. O eclético compositor pernambucano é o autor que mais dedicou canções a um mesmo time na história da música popular brasileira. Com cerca de 18 canções que compõem os discos em homenagem ao tricolor do Arruda. É possível que Bráulio seja não apenas o detentor do título de autor do maior número de composições dedicadas a um mesmo clube não apenas no Brasil, mas no planeta (não se encontra registro de façanha semelhante). Digno de figurar no Guinness World Records por isso, Bráulio não se prende a essa façanha e nem se vangloria por tamanho feito, virtude peculiar àqueles que são grandes e que poucos se importam por dados ou reconhecimento, mas sim por resultados como o que podemos ver em registros de diversos nomes como o do irreverente e talentoso Walmir Chagas, do cantor e compositor Bubuska e do multifacetado Ed Carlos, artista que dividem a paixão e devoção pelo clube pernambucano. Tudo isso acaba por tornar o compositor grande, maior até que dezenas de canções de dicadas ao clube, uma vez que "a prepotência pode até nos fazer forte por um dia; mas a humildade nos faz para sempre", como diz a máxima.

Diante de mais uma faceta desse multiartista pernambucano já se faz possível afirmar e dimensionar a sua importância para o cenário cultural do nosso Estado também por dedicar-se a reverência a um dos mais amados clubes existentes no país. Ratificando, é melhor registrar a sua importância para um contexto maior, uma vez que tal feito é para poucos ou para um único nome. Tal qual a odisseia de muitos que almejam a ascensão no futebol, Bráulio de Castro passa também pelo mesmo drama só que fora do campo, uma vez que sua obra não consegue passagem ao aventurar-se passar pelos atuais clivos que regem aquilo que se julga hoje por qualidade e bom gosto. No "peneirão" do mal gosto e vulgaridade existente nos dias atuais e que fazem parte daquilo que se diz por cultura, a oportunidade de destacar-se com um Pelé ou Garrincha da canção é ínfima, pois este craque das letras e canções não tem vez e nem muito menos voz para fazer reverberar a sua importância diante de tanta efemeridade. O que nos deixa abismados é que diante de tamanha dimensão e importância, o compositor natural de Bom Jardim, não tem dada à sua obra dedicada ao futebol a devida atenção nem mesmo pela Federação Pernambucana do esporte, que teoricamente deveria apresentar com orgulho esse grande feito de um filho da terra. Ainda bem que o Dirceu Paivadiretor do Patrimônio do clube, e que sempre cuidou da taças e história do clube, no centenário do Santa Cruz Futebol Clube sugeriu que as composições de Bráulio fossem guardadas em um cofre para o mesmo ser aberto no segundo centenário do tricolor do Arruda. Enfim... são poucos que tem ciência do verdadeiro sentido da frase do também pernambucano Nelson Rodrigues: "Se Euclides da Cunha fosse vivo teria preferido o Flamengo a Canudos para contar a história do povo brasileiro."

segunda-feira, 21 de maio de 2018

PAUTA MUSICAL: MEU PARCEIRO BADEN POWELL

Por Laura Macedo



Vinicius de Moraes, em crônica escrita em 1965, relata como conheceu Baden Powell bem como o surgimento das músicas que marcaram a parceria.

Organizei um post com a referida crônica e disponibilizei quase a totalidade das músicas citadas no GNN.

CURIOSIDADES DA MPB

Em 1933, Noel começou uma polêmica com o compositor Wilson Batista, quando este criou o samba Lenço no Pescoço, que faz apologia à malandragem. Num "duelo" de composições", Noel compôs "Feitiço da Vila" para rebater "Lenço no Pescoço". Seguiram-se um novo samba de Batista e outro de Noel, a música "Palpite Infeliz". Wilson Batista respondeu com duas novas músicas: Frankstein da Vila", no qual destaca a deficiência física de Noel, e "Terra de Cego", que terminaram sem resposta. Quando se conheceram pessoalmente, depois do ocorrido, refizeram este último samba, nascendo a canção "Deixa de Ser Convencida".

domingo, 20 de maio de 2018

VAMOS FALAR DE DISCOS?

VIDA É ARTE (JORGE VERCILLO)

sábado, 19 de maio de 2018

PETISCOS DA MUSICARIA

Por Joaquim Macedo Junior


GEOGRAFIA DAS MÚSICAS – “PINDURADO NO VAPOR”
“Pindurado no Vapor”: o rock rural magistral de Sá, Rodrigues e Guarabyra


“Pindurado no Vapor” é uma das mais lindas melodias produzidas por Sá, Rodrix e Guarabyra, o ponto alto do movimento de rock-rural brasileiro. Tomo a liberdade de chamá-los de fundadores da road-music nacional, mesmo que a viagem seja de trem ou de vapor.

O trio aparece num momento pouco antes ou pouco depois, do ocaso precipitado do samba-canção, da nova onda, a bossa-nova, da música de protesto, dos festivais, da psicodelia e por aí vai.

Ecológicos de primeira hora, poetas do vento, do pó da estrada, e da madeira dos vapores, sabiam da importância das matas ciliares e da necessidade da conservação de um Brasil rural, por preservação e contemplação.

É possível que tenham deixado escola – Renato Teixeira, Almir Sater e indicado professores – Helena Meirelles – mas como eles e com tanta qualidade não vi tantos.

Sá e Guarabyra – já sem a presença fundamental de Rodrix – continuam na estrada e nos palcos, pois os rock-rural ainda não acabou.


“Pindurado no Vapor”, Sá Rodrix e Guarabyra (1973)


Em Pindurado no Vapor, os três cantores-compositores-músicos-arranjadores, descrevem uma longa e aventureira viagem no vapor Benjamim Guimarães (o úlimo a funcionar), de Bom Jesus da Lapa, na Bahia, a Pirapora, em Minas.

Foram cinco dias pendurados no vapor, subindo a correnteza do rio São Francisco. Ninguém registrou isso melhor do que eles..

Velho Chico: Trecho entre Bahia e Minas Gerais


O ‘Benjamim’, foi um dos três últimos dos tradicionais vapores que há mais de um século, desde 1871, singravam as águas do rio São Francisco. Na época, os vapores tinham extrema importância para o transporte de passageiros e mercadorias, atuando como forte fator de integração social e econômica no país.

Vapor que fez o trajeto Bom Jesus da Lapa-BA a Pirapora-MG


Esse tipo de embarcação se tornou parte integrante da paisagem, compondo a cultura e o imaginário popular de todo o trecho médio e alto da da Bacia do São Francisco.

Chegaram a coexistir mais de 30 vapores de linha, fazendo o trajeto de Pirapora, em Minas, até os sertões nordestinos.

Em meados do século passado, zoram considerados obsoletos e antieconômicos.

Substituídos por rebocadores a diesel, foram enconstados, sucateados e desmantelados. A hegemonia do transporte rodoviário foi o golpe de misericórdia.

Para quem não conhece, vale a pena escutar com atenção o som dos meninos. Um bônus com outros trabalhos do trio:


Casa no Campo/Caçador de Mim/Espanhola

Semana que vem, tem mais..

DIAMANTINA SE MOBILIZA PARA OFERECER CASA E CUIDADOS MÉDICOS GRATUITOS A JOÃO GILBERTO

Iniciativa é do músico mineiro Pacífico Mascarenhas, que ensaiou na cidade histórica mineira os primeiros acordes da bossa nova

Por Sandra Kiefer 


João Gilberto, que nesta foto de 1961 toca no Iate Tênis Clube, ficou 'muito comovido' com o convite para viver em Diamantina, segundo a cantora Miúcha (foto: ARQUIVO EM)


Uma ação entre “amigos da bossa nova” capitaneada pelo músico mineiro Pacífico Mascarenhas, de 82 anos, oferece uma casa e cuidados médicos gratuitos ao pai do movimento, o cantor e violonista João Gilberto, de 87, caso ele concorde em morar em Diamantina, cidade histórica onde viveu no passado com parentes e onde dedilhou os primeiros acordes do estilo musical que leva sua assinatura.

Segundo notícias divulgadas por sua família, na semana passada João Gilberto foi despejado do apartamento em que vivia, na Rua Carlos Góis, no Leblon, enfrentando sérias dificuldades financeiras e de saúde. “É uma cafajestada o que estão fazendo com ele. O João (Gilberto) não merece ser alvo desse tipo de exposição”, protesta Miúcha, segunda mulher de João Gilberto, com quem teve Bebel Gilberto, em conversa com o Estado de Minas, por telefone.

Segundo a cantora, por enquanto, João Gilberto está morando de favor no apartamento de um amigo, no Bairro da Gávea. Ela confirma a ação de despejo sofrida pelo ex-marido, que “nunca foi de controlar muito as contas, descuidou dos aluguéis e acabou assinando papéis sem nem olhar, envolvendo-se com vários empresários e várias mulheres. Mas tudo isso está acontecendo por que ele está com o pagamento de seus direitos autorais desatualizados desde os anos 1960, devido a uma disputa entre advogados”.


O músico mineiro Pacífico Mascarenhas conviveu com João Gilberto quando o pai da bossa nova tinha 21 anos e o recebeu como convidado em sua casa
(foto: JUAREZ RODRIGUES/EM/D.A.PRESS)


Miúcha afirma ter recebido, há alguns dias, o telefonema de Pacífico Mascarenhas, que apresentou a oferta de moradia a João Gilberto em Diamantina. Ela diz que comentou sobre o assunto imediatamente com JG. “O João ficou profundamente comovido com a ideia. Olha, ele ficou mais de uma hora conversando comigo e contando casos daquela época e que envolviam o nome do Pacífico.” O músico mineiro, por sua vez, diz que no telefonema feito a Miúcha não chegou a saber qual era a opinião dela sobre a oferta, pois a ligação caiu e a conversa acabou ficando pela metade.

Pacífico guarda com muito carinho as memórias da convivência com João Gilberto, nos anos de juventude e antes que ele se tornasse o pai da bossa nova. Ele tinha 21 anos, tocava em um grupo vocal e ainda não havia gravado o marco bossa-novista Desafinado, de 1958. “À noite, a gente saía pelos bares de Copacabana. Inclusive teve um deles, o Drink, em que o porteiro o barrou na porta. Isso foi antes ainda de ele se tornar conhecido”, conta Pacífico, divertindo-se com a lembrança.

Segundo o mineiro que depois se tornou figura de destaque da chamada Turma da Savassi, na juventude João Gilberto era muito tímido, mas já tocava violão muito bem. “Em 1956, fui para o Rio gravar o primeiro disco independente do Brasil e chamei o João Gilberto, que ainda não era conhecido, para tocar o trecho para mim. O cara que iria tocar comigo desistiu de ir na última hora, alegando ter medo de viajar até o Rio. Então, combinei tudo com o João. Ele marcou certo comigo de ir, mas também não apareceu”, conta Pacífico, rindo. Na verdade, embora tenha frequentado várias vezes a casa de Pacífico Mascarenhas no Bairro Cidade Jardim, em BH, João Gilberto nunca chegou a gravar com ele. Ele dividiram apenas ensaios caseiros, recentemente divulgados no YouTube com o nome de “Pouca Duração”.

Pacífico acredita que João Gilberto não faça ideia do orgulho que Diamantina teria em receber de volta o músico, no berço da bossa nova. Segundo revelou o escritor Ruy Castro no livro Chega de saudade – episódio recontado na obra Ho-ba-la-lá – À procura de João Gilberto, do alemão Marc Fischer – foi na cidade histórica mineira que o jovem João Gilberto se trancava no banheiro, em busca da melhor acústica possível para praticar o violão, durante a temporada de sete meses em que morou na casa da irmã mais velha, Maria da Conceição, a Dadainha, e do cunhado, o engenheiro Péricles Sá, escalado pelo então Departamento de Estradas Regional (DER) para abrir as estradas que ligam Diamantina à região do Vale do Jequitinhonha. A casa de Dadainha, que atualmente mora em Vitória (ES), é hoje sede de imobiliária em Diamantina.


DIVISÃO DE CUSTOS

Segundo o prefeito de Diamantina, Juscelino Brasiliano Roque (que nasceu exatamente no dia da inauguração de Brasília e herdou o nome do padrinho, Juscelino Kubitschek), João Gilberto terá médicos à sua disposição na Santa Casa de Misericórdia, onde ele próprio atua como provedor, além de poder escolher onde quer morar, seja na bucólica localidade de Biribiri ou no centro histórico. “Para não dizer que a prefeitura irá pagar, vamos criar um clube de amigos da bossa nova, que irá dividir os custos entre si. João Gilberto pode ter certeza de uma coisa: aqui em Diamantina ele ainda tem bons amigos, que terão orgulho de acolher o mestre da bossa nova”, afirma o prefeito, que é neto e filho de seresteiros e se diz incentivador da cultura no município.

Sobre a real possibilidade de João Gilberto voltar aos braços de Diamantina, porém, Miúcha diz: “João achou o convite muito carinhoso e passou um tempão falando a respeito, mas não faço a menor ideia do que ele irá decidir”. Ela, no entanto está à disposição para intermediar o diálogo entre as partes. Diante da famosa dificuldade do músico em atender a telefonemas, bem como comparecer a outros encontros e compromissos, Miúcha propõe que seja encaminhado um e-mail em nome dela, comprometendo-se a repassar a informação de maneira detalhada a João Gilberto. “O que eu puder fazer para ajudar ao João, contem comigo.”


sexta-feira, 18 de maio de 2018

CANÇÕES DE XICO



HISTÓRIA DE MINHAS MÚSICAS


Uma de minhas primeiras parcerias com o grande Poeta Anchieta Dali trata de um amor adolescente e platônico numa cidade do interior. A letra é auto-explicativa. Na versão que ora apresentamos – constante do FORROBOXOTE 3,ela é interpretada pela forrozeira Nádia Maia, um dos grandes nomes de nossa música regional. Foi também gravada pelo Forró da Gabriela, da Bahia.


DO OUTRO LADO DA RUA
Anchieta Dali e Xico Bizerra

do outro lado da rua brilha mais a luz da lua, tem mais cheiro qualquer flor 
do outro lado da rua tem uma janela nua que se veste de amor 
é quando ela aparece, atendendo a minha prece, se debruça a sonhar 
sonha sonhos tão distantes, nem por escassos instantes os que teimo acalentar

o outro lado da rua é tão longe, tão distante 
até mesmo de um mirante tem milênios de lonjura 
cem léguas de não-ternura quisera eu caminhar 
a distancia do luar pra entender o teu mistério 
janela de outro hemisfério é sertão que não se agua

se esta rua, se esta rua fosse minha 
eu mandava, eu mandava ladrilhar 
com pedrinhas, diamantes de saudade 
das lembranças que guardo do teu olhar

MPB - MÚSICA EM PRETO E BRANCO

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Beto Guedes

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