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ZÉ RENATO - ENTREVISTA EXCLUSIVA

Com 40 anos de carreira, o músico capixaba faz uma retrospectiva biográfica de sua trajetória como instrumentista, compositor e intérpretes em diverso dos projetos nos quais participou.

VERSOS E MELODIAS INCRUSTADAS ENTRE O PLANALTO E O SERTÃO

Embevecido da cultura popular nordestina, Túlio Borges a faz de esteio para os versos e melodias que sustentam a trilogia a que se propõe.

QUEM FOI INALDO VILARIN?

Autor de canções como “Eu e o meu coração” (gravada por nomes como João Gilberto e Maysa), Inaldo Vilarin é mais um na triste estatística de um país sem memória

HANGOUT MUSICARIA BRASIL

Em novo canal no Youtube, Bruno Negromonte apresenta em informais conversas os mais distintos temas musicais.

segunda-feira, 23 de outubro de 2017

PAUTA MUSICAL: CACASO, 30 ANOS DE SAUDADES...

Por Laura Macedo


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Anjo marginal, poeta, ensaísta e compositor de música popular, Cacaso (1944-1987) faleceu ha exatos 30 anos (27/12/1987), deixando saudades...

Em 2009 sua trajetória foi comemorada no CCBB do Rio, em espetáculos com curadoria da cantora Rosa Emília, viúva e intérprete de Cacaso.

No palco, o repertório do poeta e parceiro de grandes nomes da MPB, como Tom Jobim, Edu Lobo, Toquinho e João Bosco, ganhou vida na voz de Geraldo Carneiro, Zé Renato, Nelson ângelo,Chico Alvim, Olívia Byington, Ulisses Tavares, Carlito Azevedo e Sueli Costa.

01 - “Dentro de mim mora um anjo” , de Cacaso e Sueli Costa, com Rosa Emília.



02 - “Face a face”, de Cacaso e Sueli Costa, com Simone.



03 - “Lero lero”, de Cacaso e Edu Lobo, com Edu Lobo.


MINHAS DUAS ESTRELAS (PERY RIBEIRO E ANA DUARTE)*




38 - Solidão na Urca

Não é difícil imaginar como meu pai se sentiu quando o sucesso espontâneo deixou de existir, quando o “jabá” passou a dominar a consciência dos profissionais da mídia, que tomaram para si a incumbência de decidir o que o povo queria ou não ouvir e comprar. O tempo estava passando e as mudanças aconteciam de forma brusca e cruel. A indústria da música tomava o lugar do artes-anato e da espontaneidade, do lirismo e da beleza. Surgia o “paraquedista do sucesso”, verdadeira invenção do mercado, sem nenhuma preocupação de construir uma carreira, apenas correndo atrás do sucesso imediato. E, nessa inversão de valores que o mundo foi passando a viver, esses produtos da mídia, em decorrência de sua vendagem de discos, passaram a ser considerados gênios da música. Meu pai sofria com esse processo, com o distanciamento que passou a existir entre sua verdade e as mentiras do mercado musical que era obrigado a suportar. Resultado: a enorme solidão que lhe era imposta pelas mudanças do mundo e, como se não bastasse, também a solidão de sua vida particular. Embora cercado por muitas pessoas, em casa e no centro espírita, ele já não desenvolvia sua finalidade de vida: subir no palco e exercer sua arte. Com Fernando, teve a sua maior dor, a maior dor de um pai. Ele era o filho mais velho de seu casamento com Lurdes, uma união que meu pai desejava fosse definitiva. Não sabemos por que — se foi um problema de criação ou influência de uma juventude com valores contrários aos de meu pai e Lurdes —, mas o fato é que Fernando entrou para o mundo das drogas e, como sempre acontece, perdeu o contato com a família. No meu especial carinho pelo Fernando, tentei um canal de comunicação. Chegamos a conversar abertamente algumas vezes e senti naquele menino profunda solidão e tristeza. E certa mágoa. Mas nem meu pai nem Lurdes souberam como lidar com o problema. Acho que, na verdade, pais e mães nunca sabem o que fazer quando percebem que seu filho, aquela obra de Deus tão per-feita, e tão amada por eles, está se drogando… Tentou-se de tudo até ele ser internado. Acreditávamos que, com essa medida, parar-ia com as drogas, mas já era tarde. No decorrer daquele processo difícil, com seu organismo já debilitado, ele havia contraído uma doença grave — câncer de próstata. De acordo com o que observei e aprendi na vida, o câncer é a doença da mágoa, do ressenti-mento, o que se encaixava perfeitamente na história de Fernando. Ele não durou muito. Morreu prematuramente em 1984, aos 32 anos incompletos. Meu pai ficou abalado. Creio que foi essa dor que o levou a escrever uma frase boba e infeliz sobre filhos no livro sobre sua vida: “Filho, não sei pra que serve”. É uma afirmação que marca muito quem lê o livro. Talvez tenha sido sua forma de jogar fora uma dor guardada bem no fundo, por ter perdido um filho estupidamente para as drogas. Quando Fernando morreu, levei meu pai até Itaguaí, junto com minha amiga de infância Marilu. Fomos passear na Ilha de Itacuruçá, tentando fazê-lo espairecer e relaxar. Durante a travessia para a ilha num barquinho, pude sentir quanto seu coração es-tava machucado. As poucas palavras que disse, as expressões que usava, o vazio do seu olhar, tudo era muito forte e doloroso. Foi a primeira vez que vi seus olhos azuis tão vazios, e até com algumas lágrimas. Com a morte de Fernando, os outros filhos com a Lurdes, Yaçanã e Louro, ainda solteiros, passaram a receber da mãe uma dose ainda maior de proteção. Tudo se concentrava nos dois e nos filhos pequenos de Fernando, que continuaram a morar na casa do meu pai junto com a mãe, Martinha. Penso que a excessiva atenção de Lurdes aos filhos, somada à solicitação constante das pessoas por sua ajuda como mãe de santo, fez com que meu pai se sentisse muito só dentro de casa. Tudo isso foi deixando meu pai alheado de uma rotina à qual não pertencia, embora se desenrolasse em sua própria casa. Não fazia parte atuante daquela romaria e ficava de lado na maioria dos assuntos. Havia um clima de eterno segredo no ar e ele só era solicitado quando precisava fazer frente às obrigações de provedor do lar: a filha queria um carro novo, a esposa, uma viagem para Nova York, a neta precisava de um aparelho nos dentes. Resultado: mais solidão. Yaçanã, única filha mulher, com total apego à mãe, acabou se tornando a maior colaboradora de Lurdes (“cambona”, como se diz na umbanda), participando de todas as atividades. Assim, nem a mulher nem a filha tinham mais tempo para Herivelto. Lurdes, já comentei, não sabia fazer absolutamente nada em casa. Cozinhar, lavar ou administrar eram ciências impossíveis para ela. Vivia exclusivamente para as atividades de mãe de santo e Yaçanã seguiu essa cartilha. Por isso, cansei de ver meu pai ficar nervoso ao encontrar sua camisa sem botão ou amarrotada, quando se preparava para um show. Se Marta, a viúva de Fernando, ou Edith não estivessem por perto, ele tinha de sair daquele jeito. Não havia mais ninguém na casa com disposição para cuidar da roupa dele. Apenas o filho caçula, o Louro, procurava ficar perto de meu pai, oferecendo carinho e companhia. Foi o único filho de Lurdes que herdou a musicalidade de Herivelto. Conhecia todas as suas músicas e cantava com ele em dueto nas brincadeiras musicais da Urca. Também era o único interessado em sua carreira. Acompanhava-o aos shows e demonstrava real interesse pelo Herivelto artista. Mas Louro nunca foi levado muito a sério pela família. Sua personalidade delicada e dócil era confundida com algum distúrbio esquizofrênico, o que o fazia ser meio ridicularizado por todos. E meu pai, em vez de curtir seu carinho, acabava não dando a atenção que ele merecia. Infelizmente. Assim, meu pai foi ficando cada vez mais sozinho. Percebendo esse processo, os filhos mais velhos passaram a ir à Urca com mais frequência. Eu, morando em São Paulo, vinha ao Rio sempre que podia. Bily, Hélcio, Hélio e até Newton sempre estavam por lá. Procurávamos talvez uma intimidade, ainda que tardia, com nosso pai, um homem que já fora tão requisitado pela fama e pelas pessoas que a alimentam . Mas não era fácil. Havia muitos anos meu pai assumira uma postura dura e irascível com a própria família. Solitário dentro de casa, ele ligava para os amigos ou se agarrava a alguém do centro espírita para ter companhia para sair e conversar. Não era pessoa de conseguir ficar sozinha, nunca. Não conseguia ficar consigo mesmo por muito tempo. Para sair, tinha sempre um acompanhante — um amigo, um conhecido ou mesmo uma pessoa da família. Para o sítio de Bananal, então, só ia se fosse com alguém. Quem teve papel importante nessa fase da sua vida foi o dono do jornal Copacentro, João Bosco. Carregava meu pai para a rua com frequência, organizava festas, reuniões e às vezes até shows, em que ele podia brilhar, ser homenageado e receber um pouco da sua grande vitamina: o aplauso. Na verdade, tudo fazia parte da Grande Corte que um dia existira na vida de Herivelto e que ele fizera questão de manter. E por sorte, nessa fase da vida, do alto de seus quase 80 anos, reconquistava a admiração de um país, recebendo grandes homenagens. Era muito gratificante ver sua alegria ao ser homenageado. E mais feliz eu me sentia quando dividia com ele o palco nesses momentos. E um desses momentos inesquecíveis foi quando participei junto com Elizeth Cardoso, Zezé Motta e a última versão do Trio de Ouro (com Shirley Dom) de uma homenagem muito especial a ele: o importante Prêmio Shell da MPB (1987). No palco do Teatro Municipal pude saborear a sua felicidade ao ser ovacionado por uma plateia que o aplaudia de pé. Fizemos um emocionado show dirigido com muita sensibilidade por Hermínio Bello de Carvalho, e que se tornou um disco lançado pela Funarte com o título Que rei sou eu?. Digo reconquistava um país porque, depois da morte de minha mãe, a vida se encarregou de reincorporar a vida dela na dele. Era a grande e fantástica ironia — ao ficar cada dia mais velho, mais era obrigado a oferecer ao público a imagem de homem que tivera a sorte um dia de ter Dalva de Oliveira como esposa e companheira de trabalho. Isso aconteceu muito nos shows que fazíamos juntos. Talvez por respeito ao tempo transcorrido ou por estar junto comigo, dividindo os holofotes, o fato é que no início de nosso trabalho ele relutava em fazer referência ou falar sobre ela quando contava a história de suas músicas. Mas, como quase tudo dizia respeito ao tempo em que esteve casado com minha mãe, mesmo odiando ter de pronunciar seu nome, aos poucos a exigência do público falou mais alto. Passamos a terminar o show cantando as marchas-rancho criadas por ela, encerrando invariavelmente com Bandeira branca”. Com isso, Herivelto ganhou de volta do público que ia nos ver o carinho, a admiração e o reconhecimento. No meu íntimo, imaginava Dalva ali, assistindo a tudo, feliz por ter conseguido… “tanto riso, tanta alegria”.



* A presente obra é disponibilizada por nossa equipe, com o objetivo de oferecer conteúdo para uso parcial em pesquisas e estudos acadêmicos, bem como o simples teste da qualidade da obra, com o fim exclusivo de compra futura. É expressamente proibida e totalmente repudiável a venda, aluguel, ou quaisquer uso comercial do presente conteúdo.

domingo, 22 de outubro de 2017

HISTÓRIAS E ESTÓRIAS DA MPB


A cantora e compositora hoje em questão traz em seu gene a música. Com bisavô e avó maternos maestros e compositores, não é difícil afirmar que esta condição acabou por influenciar tanto a ela quanto ao irmão a enveredar para a música e tornarem-se responsáveis por diversas canções que caíram no gosto popular em especial na década de 1970 a partir da voz de um dos maiores nomes da música popular brasileira: Roberto Carlos. Intérprete para projeção nacional melhor não haveria de existir. Vem desde essa época registros de canções como "Jogo de damas", "Elas por elas", "Amigos, amigos", "Um jeito estúpido de te amar", "Como é possível", "De coração pra coração", "Quando vi você passar", "Pelo avesso" e "Outra vez" (canção que consagrou em definitivo a compositora). Estas oito canções gravadas pelo Rei acaba por colocar Isolda, sem sombra de dúvidas, entre os compositores mais gravados por Roberto Carlos apo longo de toda a sua carreira e, se avaliarmos por gênero, deduzo ser a compositora mais gravada pelo autor de "Detalhes", tanto que é conhecida como "a compositora do Rei". No entanto é preciso enfatizar que diversos são os outros intérpretes de suas letras e canções, dentre eles o irmão Milton Carlos que gravou diversas canções da dupla, Wando, Os incríveis entre tantos. Só "Outra vez" ganhou versões de Maria Bethânia (que a gravou no álbum "Diamante verdadeiro", de 1999), Gal Costa (que a registrou no álbum "De tantos amores", de 2002), Roberta Miranda (1990), Emílio Santiago ("O canto crescente de Emílio Santiago", 1979), Altemar Dutra (1979), Agnaldo Timóteo e Wanderley Cardoso (ambos gravaram em 1998), Nelson Gonçalves (1980), Cauby Peixoto (1979), Sérgio Reis (2001), Simone (1979) e etc.


Como já dito, sua família era extremamente musical, e isso acabou por despertar o interesse pelas artes de modo geral tanto na compositora quanto no irmão. E foi a partir de brincadeiras com o irmão que se deu a sua aproximação da música. Com Milton Carlos a futura compositora começava a fazer músicas e histórias para teatrinhos de boneca. Queria ser jornalista mas, ainda na adolescência, começou a participar, juntamente com o irmão, de festivais de música pelos estados de São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro. Com uma voz andrógena, porém belíssima, o irmão conseguiu a oportunidade de gravar o primeiro LP e para isso resolveu solicitar canções junto à irmã. Neste álbum de estreia de Milton Carlos estão presentes da lavra de Isolda as faixas "Desta vez te perdi", "Tudo parou" e "Eu vou caminhar" e "Um presente para ela". Exitosamente passou a receber pedidos de músicas de outros cantores e cantoras. Só em 1972 teve cinco músicas gravadas por importantes nomes da música: Os Incríveis, Nilton César, Nalva Aguiar, Antônio Marcos e Silvinha. Em 1973, conheceu o primeiro grande sucesso quando Roberto Carlos ouviu, através do amigo comum Eduardo Araújo, a música "Amigos, amigos", parceria de Isolda com Milton Carlos e resolveu gravá-la. Seu maior sucesso, "Outra vez", foi gravada pela primeira vez em 1977 (mas composta um ano antes, no mesmo ano da morte prematura do irmão em um acidente automobilístico). Esta foi a primeira canção onde Isolda fez sozinha letra e música. Há quem afirme que a canção tenha sido composta em homenagem ao irmão, no entanto em diversas entrevistas concedidas ela disse que fez inspirada em antigos amores relembrados após um encontro com algumas amigas. Reza a lenda que Isolda gravou esta canção acompanhada ao violão por Sérgio Sá de modo bastante despretensioso em uma fita onde já constavam outras composições em parceria com o já saudoso irmão. Na fita, era a única canção composta só por Isolda. Quase ela não mandava ao Roberto a canção que se tornaria o seu maior sucesso como compositora. Ainda bem que mudou de ideia!

SR. BRASIL - ROLANDO BOLDRIN

MPB - MÚSICA EM PRETO E BRANCO

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Rodrigo Amarante

sábado, 21 de outubro de 2017

PETISCOS DA MUSICARIA

Por Joaquim Macedo Junior



MULHERES CANTORAS E COMPOSITORAS DE PERNAMBUCO – IRAH CALDEIRA

Irah Caldeira: o trajeto do São Francisco


Como o Velho Chico, Irah Caldeira começou seu trajeto, quando resolveu viajar pelo norte e nordeste do país, a fim de pesquisar e aprender ritmos musicais do Maranhão, Pará e Bahia. Finalmente, fixou residência em Pernambuco.

A caminhada de Irah refez em sentido histórico o mesmo percurso do rio São Francisco em sua trajetória em direção ao mar.

Nascida em Minas Gerais, iniciou sua carreira como cantora na década de 90, obtendo grande respeito da crítica especializada pela forma com que interpreta as canções, com espontaneidade, técnica e também pela qualidade com que seleciona as canções que compõem seu repertório.

Ao longo da carreira, gravou músicas de compositores como Zé Marcolino, Petrúcio Amorim, Accioly Neto, Maciel Melo e Anchieta Dali, entre outros.

Lançou seu primeiro CD em 1999, que recebeu o título de “Mistura Brasil”, no qual interpretou músicas “A natureza das coisas”, de Accioly Neto; “Canto do rouxinol”, de Caxiado; “Mentiras do vento” e “Cantar dor”, de Roberto José; “Eu fiz que não te vi”, de Totonho; “Siá Filiça”, de Bira Marcolino e Fátima Marcolino; “Ilusão”, de Roberto Lintz; “Ciência popular”, de Domingos Accioly e Jucéia Vilella, em faixa que contou com as participações especiais de Rogério Menezes e Raimundo Caetano; “A lata do lixo”, de Zé Marcolino; “Cidades gêmeas”, de Fabiano Otoni Vieira; “Reggae do sol”, de Paulo Long e Jucélio Vilella, e “Mais fundo que qualquer raiz”, de Ricardo Cardoso.


Irah Caldeira, Oração do Sanfoneiro, de Xico Bizerra – com mestre Camarão. Primeiro “DVD – GIRASSOL DE DESEJOS”, de 2009


Continuou realizando shows pelo estado de Pernambuco e, em 2001, lançou seu segundo CD, “Canto do rouxinol”, com produção sua e de Carlos Firmino, no qual cantou as músicas “A cartilha da canção”, de Fátima Marcolino e Mariua da Paz; “Tributo a Zé Marcolino”, de Maciel Melo; “Bole bole da sanfona”, de Abel Carvalho e Patrick Jr.; “Faz de conta”, de Maria da Paz e Jotta Moreno; “Festejos de beija-flor”, de Anchieta Dali; “Canto do rouxinol”, de Tita Caxiado; “Sina de baião”, de Diego Reis e Camarão; “Pra ganhar teu coração”, de Félix Porfírio e Noel Tavares; “Cidade grande”, de Petrúcio Amorim; “Noquinha da Lagoa”, de Manoel Santana e Reginaldo Moreira; “A cura”, de Ancieta Dali e Bia Marinho; “Cantador de coco”, de Valdir Santos; “Noite de festa” e “Forró mineiro”, de Edgar Mão Branca, e “Apreço ao meu lugar”, de Paulo Matricó.

Em 2004, lançou, com produção sua e Jorge Ribbas, o CD “Irah Caldeira canta Maciel Melo” no qual interpretou 15 composições de Maciel Mello: “Caia por cima de mim”; “Cheiro de terra molhada”; “Feira de sonhos”; “Jeito maroto”; “Tama de pedra”, faixa que contou com a participação do próprio Maciel Melo; “Que nem vem-vem”; “Não é brincadeira”; “Caboclo sonhador”; “Firirim fom fom” e “Um veio d’água”, todas composições solo de Maciel Melo, além de “Minha fala”, de Maciel Melo e Nico Batista; “A poeira e a estrada”, de Maciel Melo e Cláudio Almeida, que contou com a participação especial de Dominguinhos; “Pra ninar meu coração”, de Maciel Melo e Luiz Fidélis; “Coco peneruê”, de Maciel Melo e Jessier Quirino, e “Retinas” e “Nos tempos de menino”, de de Maciel Melo e Virgílio Siqueira.

Aperto o Nó – de Fred Monteiro, com Irah Caldeira

Em 2006, lançou o CD “Entre o calango e o baião”, que teve produção e direção musical suas e no qual cantou as músicas “Quero ter você”, de Pekin e Mourão Filho; “Aperta o nó”, de Fred Monteiro; “Oceano do querer”, de Maria da Paz e Xico Bizerra, com participação especial de Dominguinhos; “Me perguntaram, eu respondi”, de Herbet Lucena e Xande Raséc; “Faça isso não”, de Biguá; “Porteira da saudade”, de Bira Marcolino e Fátima Marcolino; “Sem chance”, de Rogério Rangel e Petrúcio Amorim; “Segura o forró”, de Félix Porfírio; “Avoante”, de Accioly Neto; “Ainda é tempo”, de Alexandre Leão e Manuca Almeida; “Nordestinês”, de Reginaldo Moreira; “Machado cortador”, de Zé Marcolino; “Sabiá alcoviteiro” e “Chama”, de Selma Santos; “Queimei seu travesseiro”, de J. Miciles, e “Grãos de sonho”, de Roberto José.

Em 2007, realizou uma longa temporada de shows que resultou no CD “Irah Caldeira e banda – ao vivo”, no qual interpretou 36 sucessos do cancioneiro popular nordestino. No ano seguinte, lançou o CD “Irah Caldeira e banda – ao vivo volume 2”.

Já em 2009, gravou no Teatro da UFPE o DVD “Girassol de Desejos” com direção musical de Sandro Maia e com as participações especiais de Bia Marinho, Mestre Camarão, Josildo Sá, Maciel Mello, Petrúcio Amorim e Santana, o Cantador, entre outros.

No mesmo ano lançou o CD “Marias… Das Dores… Daluz! Mulheres compositoras do Nordeste”, um projeto aprovado pelo Funcultura e no qual, acompanhada de sua banda, cantou obras de 17 compositoras nordestinas: Socorro Lira; Dona Maria do Horto; Flávia Wenceslau; Terezinha do Acordeon; Adryana BB; Bia Marinho; Joésia Ramos; Haidée Camelo; Anastácia; Liana Ferreira; Kelly Benevides; Rita de Cássia; Selma do Coco; Khrystal e Jussara Kouryh, além de composições de sua autoria. Em 2012, participou da coleção tripla de CDs “Pernambuco forrozando para o mundo – Viva Dominguinhos!!!”, produzida por Fábio Cabral, cantando, ao lado de Dominguinhos, a música “A poeira e a estrada”, de Claudio Almeida e Maciel Melo.

A coletânea trouxe forrós diversos interpretados por 48 artistas, e que fazem referência aos 50 anos de carreira do seu inspirador: Dominguinhos. Interpretando músicas de compositores em sua grande maioria pernambucanos, fizeram parte do projeto também artistas como Acioly Neto, Adelzon Viana, Dudu do Acordeon, Elba Ramalho, Jorge de Altinho, Petrúcio Amorim, Liv Moraes, Hebert Lucena, Geraldo Maia, Sandro Haick, Spok, Jefferson Gonçalves, Chambinho, Joquinha Gonzaga, Maciel Melo, Luizinho Calixto, Silvério Pessoa, Walmir Silva, entre outros, além do próprio Dominguinhos.

Agora Irah Caldeira, com a melhor intepretação dessa música que é meu xodó “Tareco e Mariola”…


Mineira, radicada no nordeste, Irah Caldeira canta o forró, e outros ritmos nordestinos, com a alegria e leveza de uma autêntica filha da terra.

Para Irah, a música regional não está limitada a um estado e sim a todo o povo brasileiro, entendendo que a cultura de qualquer ponto do país, é patrimônio de toda a nação.

Com uma carreira artística consolidada em Pernambuco, Irah segue a mesma estética musical que nos presenteou com o canto de Luiz Gonzaga, Jackson do Pandeiro, Marinês, Dominguinhos e outros tantos que perpetuaram o autêntico canto sertanejo em forma de xote, baião, côco, xaxado, forró e toadas, espalhando para todo Brasil, poesia e beleza em forma de canção.

Semana que vem, tem mais…..

OTTO LANÇA VÍDEO 'CARINHOSA', FAIXA DO DISCO 'OTTOMATOPEIA'


Direção é assinada pelo músico em parceria com Kenza Said e Lourival Cuquinha; composição foi feita com Zé Renato 


Primeiro single do disco, 'Bala', foi lançado antes mesmo do lançamento do disco. (foto: YouTube/Reprodução)



O músico pernambucano Otto divulgou nesta terça-feira, 19, o clipe da música Carinhosa, faixa retirada do disco Ottomatopeia, lançado em julho passado. A canção é assinada em parceria com o cantor e compositor Zé Renato e traz um refrão forte com apelo amoroso. 

Para o vídeo, disponível no YouTube, Otto assina a direção ao lado do artista plástico Lourival Cuquinhae da fotógrafa Kensa Said - que também é namorada do músico. Nele, o cantor aparece vestido de terno e chapéu preto cantando a canção sobre montanhas. 

A música é o segundo single de Ottomatopeio. O primeiro, Bala, teve lyric video divulgado antes mesmo do lançamento do disco. 

Abaixo, confira o videoclipe de Carinhosa:

 Fonte: Estado de Minas

AMANHÃ (SIMON)


Intérprete: Simon Compositor: Allan Fontes Arranjos: Danilo Ferreira Arranjo Vocal: Simon Baixo: Daniel Santos Bateria: Lello Araújo Rhodes: Junior Viana Guitarra e Violão: Danilo Ferreira Gravado, mixado e masterizado no Estúdio Prodart Produção musical: Danilo Ferreira e Allan Fontes Vídeo (vídeo music) Direção: Bianca Cabral e Simon Direção de edição: Leo F. Carter Roteiro e direção de fotografia: Simon Produção de vídeo/finalização: Bianca Cabral Produções Assistentes de direção: Denise Luque e Allan Fontes Comunicação digital: Estúdio Leo F. Carter (http://www.leofcarter.com/) Agradecimentos especiais: Miro e Gilvane Siga o Simon: Facebook: https://www.facebook.com/simonperfil/ Instagram: https://www.instagram.com/simonperfil/ Ouça o Simon: Spotify: https://open.spotify.com/track/0T56Bs... Itunes: https://itunes.apple.com/br/album/ama... Deezer: http://www.deezer.com/br/album/47747912 © 2017 Simon: http://www.simonoficial.com

sexta-feira, 20 de outubro de 2017

CANÇÕES DE XICO


HISTÓRIA DE MINHAS MÚSICAS

Músico da melhor estirpe, Beto Hortis vem me acompanhando há algum tempo, participando dos nossos Forroboxotes. Reconhecido como excelente instrumentista tinha um viés pouco conhecido: de compositor. Ele mostrou-me, certa vez, uma melodia muito bonita e ainda sem letra. Como não sou besta, pedi-lhe autorização para ‘letrar’ aquela música e daí saiu CAVALO DO TEMPO. No JBF a versão com Tácyo Carvalho, ‘matuto’ de Ouricuri, que integrou o elenco de nosso Forroboxote 6, onde a música está inserida. Além desta gravação há o registro com Território Nordestino e Antônio Paulino.

CAVALO DO TEMPO
Beto Hortis e Xico Bizerra

Dona saudade, sele o cavalo do tempo
é o sentimento do amor que chegou
vou lá onde o carinho aflora
e a hora é agora
ela vive tão longe daqui
vou por entre as flores do campo
ligeiro feito um ‘relampo’
pro longe ser um bem ali

levo um milhão de estrelas
para acendê-las a cada anoitecer
levo um rio de águas claras,
borboletas raras dançando um balé pra você

LULA QUEIROGA LANÇA SEU QUINTO ÁLBUM SOLO, 'AUMENTA O SONHO'


Disco gravado no fim de 2016 apresenta o resultado da imersão do músico nos anseios da vida contemporânea 

Por Alef Pontes


Disco está disponível para audição nas plataformas digitais. (foto: Gabriel Melo/DP)


Lula Queiroga lança o quinto álbum solo, Aumenta o sonho. Gravado no fim de 2016, o disco chega às plataformas de streaming apresentando o resultado da imersão do cantor e compositor pernambucano nos anseios da vida contemporânea.

Em 11 canções, Lula explora a necessidade de almejar a beleza do que é simples, mas nem por isso pouco elaborado. ''Aumenta o sonho surgiu para contar que se você acredita em alguma coisa, vai atrás e dobra o sonho'', diz. Porém, esse ideal quase não se concretizou devido às reviravoltas no contexto político-cultural do país. Por pouco ele não abandonou o projeto, iniciado em 2013. ''As questões políticas afetaram muito. Quando percebi, a gente já estava vivendo outra realidade. Queria mudar, fazer outra coisa'', explica Lula.

Porém, da crise surgiu um novo olhar. ''Se você sobe um único degrau na caminhada, já está aumentando o sonho. É disso que fala o disco: do sonho pueril de uma criança que sonha em ser livre”, diz o compositor. O repertório traz parcerias dele com Pedro Luís (Casa coletiva), Manuca Bandini (Tardinha), Lucky Luciano (Duna), Lenine e Chico Neves (A balada do cachorro louco), Fabrício Belo (Futilosofia e Rio-que-vai-e-volta) e Yuri Queiroga (Minha cabeça é o fim).

Produção independente, em breve o trabalho deve ganhar lançamento nos formatos CD e vinil. ''Hoje em dia, o disco físico surge mais como presente. Trabalhamos um conceito gráfico mais elaborado para esses formatos'', conclui.


Confira:


TRENZINHO BRASILEIRO

Por Paulo César Feital




Lá vem ele...
Já ouço ao longe Os acordes estridentes Do seu apito dolente Nos trilhos do descampado
Sugando os seios da serra Já surge do vão da terra O trem dos desamparados.

Lá vem ele... Carregado de tristezas, Cheinho de desespero,
Se aproxima da estação,
Da vila da opressão,
Meu trenzinho brasileiro.

Vem parando,
Lamentando,
Grita, chora, chora e grita
Chora e grita, grita, chora, chora,
chor... cho...ch...ch...

Na estação não tem ninguém,
Ninguém espera quem vem,
Quem vem não tem mais ninguém,
Nem pai, nem mãe, nem parente.

E o viajante pressente
Que o Brasil, infelizmente,
É o exílio do passado
Onde quem faz a história
Não merece estar presente.

São dois vagões que formam a composição.
Na frente, em letras borradas pelo sangue das canções,
Se lê no primeiro carro,
Todo sujo pelo barro:
"Vagão das Desilusões".
Nele viajam calados,
Com os olhos injetados
Do choro da solidão:
Pixinguinha, Orestes, Noel,
João da Baiana, Donga e Sinhô,
Patápio, Custódio e Nazareth,
Francisco, Orlando e Ary,
Lamartine e Ataulpho,
Wilson, Geraldo e Ismael,
Antonio Maria e Dolores,
Ciro, Zéquinha e Dalva,
Lupicinio, Nelson, Cartola, Vinicius,
Clara e Ellis, Zé ketti ,
Mauro Duarte e Dominguinhos
Monsueto, Wilson e Candeia,
João Nogueira e Jamelão,
Rafael , Paulo Moura e Jair
Pery, Emílio, Belchior, Tapajos
Sivuca e tantos outros...

E sentada lá no fim,
Num velho banco de couro,
Chiquinha com a rosa morta Do cordão "Rosa de Ouro"
E o trem range sofrimento, Num soluço lento, lento, Destilando na fumaça
A memória de uma raça
No vagão do esquecimento.

Que povo é esse, meu Deus,
Que detesta ser chamado
De colônia e filial,
Mas que brinca o carnaval
Balançado pelo funk e hip hop
E nas horas de aflição
Já te chama na oração
De "my brother,de "my God"?
Que povo é esse,meu Deus?

O segundo carro é o mais deprimente.
Gente que até muito pouco tempo
Fazia parte desse mundo muito louco,
Dando um pouco de alento
A índios, negros, caboclos,
Que no planeta da gente
São chamados de pingentes 

Chora , grita , grita, chora,
Grita, chora, chora, grita,
chor...cho...ch..ch...

Que povo é esse , meu Deus,
Que detesta ser chamado
De colônia e filial
Mas que brinca o carnaval
Balançado pelo funk e hip hop
E nas horas de aflição
Já te chama na oração
De "my brother",de "my God"?
Que povo é esse , meu Deus?

Mas quem esquece não é o povo,é a"nata".
Gente que nunca viu a beleza das cascatas,
A jaçanã pelo mangue,
O tiê num vôo-sangue
Avermelhando essas matas,
Ou um mulato no sapê
Cantando as suas bravatas.

No último vagão ouvem-se gritos.
É o "Carro dos Alaridos",
O "Vagão dos Oprimidos".
Parece sardinha em lata,
É gente feito sucata,
Mortos-vivos e feridos.
É o "Carro dos Aguerridos"!
É tanta gente morena,
Um cheiro de alfazema
Misturado com suor,
Fragrância que eu sei de cor
Pelo vício dos sentidos.
É o "Carro dos Abandonados",
Dos párias, dos maus fadados,
Da miséria e caridade.
É o "Vagão da Humanidade"!
É gente que por mais que eles tentem,
A ternura jamais arrefece!
É o povo, gente. É o povo,
E o povo jamais esquece!

Chora,grita , grita , chora
Grita , chora,
Se levanta e chor...cho.. ch...

E lá no final dos trilhos,
Correndo atrás do vagão,
Chegando assim tão sozinhos,
Gritando: -“Esperem, tinha uma pedra no caminho
No caminho tinha uma pedra”,
Em alta voz e bom som,
Os últimos dos esquecidos:
Antonio Carlos Jobim,
Poeta Carlos Drumond.

Chora, grita, grita, chora,
Chor... Ch..Ch...

Vai maestro, leva o povo
Maquinista Villa Lobos,
Vai e não volta mais,
Leva esse negro pé-de-cana,
Esse mulato tão louco,
Esse povo meio gira,
Vai cantando as Bachianas...
Vai rangendo as Bachianas...
Lamentando as Bachianas...
Meu trenzinho caipira!!

quinta-feira, 19 de outubro de 2017

GRAMOPHONE DO HORTÊNCIO

Por Luciano Hortêncio*




Canção: Tá Compreendido - Homem Moderno

Composição: Aloysio Figueredo - Nelson Figueiredo

Intérprete - Nelson Figueiredo

Ano - 1960

LP - Bon Voyage - Aloysio e seus Teclados - Copacabana CLP 11137



* Luciano Hortêncio é titular de um canal homônimo ao seu nome no Youtube onde estão mais de 10.000 pessoas inscritas. O mesmo é alimentado constantemente por vídeos musicais de excelente qualidade sem fins lucrativos).

VÍDEO MOSTRA CAETANO VELOSO CANTANDO FUNKS 'PROBIDÕES'


Imagens mostram o cantor e compositor baiano cantando as músicas 'Dj toca aquela' e 'Quem me viu mentiu' 


Caetano Veloso canta funk na internet. (foto: Flickr/Reprodução)


Caetano Veloso é uma sumidade quando o assunto é a música popular brasileira. O cantor e compositor baiano é reconhecido internacionalmente por suas canções e parcerias memoráveis, além de ter encabeçado a Tropicália, no fim da década de 1960. O que ninguém esperava é que ele soubesse cantar alguns funks 'proibidões', subgênero do estilo que traz letras sobre assuntos um tanto quanto polêmicos, como sexo e violência. 

Em um vídeo divulgado no Twitter por Danilo Rodrigues, rapaz que trabalha com o cantor, Caetano aparece cantando as letras de dois funks com a melhor das desenvolturas. Na gravação, ele mostra que sabe cantar Dj toca aquela, de MC Novinho, e Quem me viu mentiu, de MC Maneirinho. ''Eu fiquei de cara que Caetano conhece todos os funks. Tá aí, tive que filmar'', escreveu Danilo, na publicação. 

Confira:

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PAULO MIKLOS - FAIXA A FAIXA (A GENTE MORA NO AGORA)


quarta-feira, 18 de outubro de 2017

GARGALHADAS SONORAS

Por Fábio Cabral (Ou Fabio Passadisco, se preferir)





Chegou um senhor e perguntou se todo o acervo de CDs que tenho na loja, estão no computador.

Eu respondi que não... Uso o computador pra outras funções.
E ele voltou a perguntar: E se eu quiser um desses CDs?

Oxente... É só comprar!

PELO TELEFONE - MÚSICAS DO CATETE 2 (A MÚSICA POPULAR NA REPÚBLICA)

Por André Diniz



No texto anterior, o Presidente Hermes da Fonseca era caricaturado na música popular como um azarado. Ter pouca sorte não quer dizer que o homem fosse um ingênuo na política. Hermes elegeu seu vice Venceslau Brás, em 1914. Com 500 mil votos a mais que seu adversário, o problema de Venceslau não vinha dos minguados eleitores da Primeira República, mas sim de uma ferida na perna que nenhum médico dava jeito. Reza a lenda que o presidente resolveu buscar a ajuda dos famosos orixás da baiana Ciata. Curado, Vesceslau ajudou a consolidar na literatura da cultura popular carioca, a imagem mitológica da casa da Tia Ciata, como referência da afrodescendecia. 

E foi justamente na casa da baiana, na Cidade Nova, que surgiu o lendário samba “Pelo telefone”. O nome “samba” existe na literatura desde o século XIX como sinônimo de festa, encontro com comilança, dança e música. O gênero foi resultado de muitas misturas musicais referidas aos ritmos da África e da Europa. Mas foi com os signos da cultura afro que ele ganhou legitimidade na area urbana do Rio de Janeiro. 

O samba carnavalesco “Pelo telefone”, de Donga e Mauro de Almeida, composto em 1916 e gravado em 1917, pelo cantor Bahiano, é um marco da ascensão do ritmo como popular e vendável: 

O chefe da folia
Pelo telefone 
manda me avisar 
Que com alegria
Não se questione para se brincar… 

No mesmo carnaval de “Pelo telefone”, o compositor Sinhô, o mais importante nome da primeira leva do samba, cutucava o presidente Venceslau Brás em “São Brás”: 

Sobem a carne e o feijão, 
Desce o brio da nação.
E o povo anda casmurro, 
Pagando imposto pra burro… 

“São Brás”, apelido popular do presidente, se manteve neutro até quando pôde na Primeira Guerra Mundial. Mas em 1917 a sopa acabou, e o país teve de abandonar sua neutralidade e entrar na Primeira Guerra Mundial contra a Tríplice Aliança (Alemanha, Império Austro-Húngaro e Itália). Lutamos ao lado dos Estados Unidos e da Tríplice Entente (Inglaterra, França e Rússia). O compositor Caninha, membro da primeira geração do samba, em 1919, comemorou a vitória da Tríplice Entente em o “Kaiser em fuga”, celebração cívico-momesca da derrota de Guilherme II, então imperador da Alemanha: 

Monsieur, cadê ele?
O Kaiser já fugiu.
Já sumiu-se pra bem longe, 
Que o inimigo não viu… 

De fato, a ascensão do termo samba na indústria fonográfica carioca fica evidente nos anos subseguentes do sucesso de “Pelo Telefone.” A partir do final dos anos 20, o gênero se distanciaria da influência do maxixe com uma nova instrumentação (surdo, cuíca, tamborim) e uma acentuação rítmica mais africana, através da obra dos compositores do morro de São Carlos, no bairro do Estácio de Sá – no trio elétrico Ismael Silva, Bide e Marçal. Seria esse modelo de samba que navegaria pelas ondas do rádio para as principais praças urbanas do Brasil.

POETA REÚNE ARTISTAS EM PROJETO MUSICAL PARA AJUDAR A CAUSA ANIMAL

5.set.2017 - O poeta Ulisses Taveres já publicou mais de 130 livros e é conhecido por atuar como defensor da causa animal


O poeta e escritor brasileiro Ulisses Tavares, de 66 anos, reuniu um time de artistas para apoiar a causa animal e resolveu lançar um CD com verba revertida para entidades protetoras. "A causa virou crise", comenta. 

"Os abrigos e protetores voluntários estão sem doações suficientes e abarrotados de cães e gatos retirados das ruas, além disso, muita gente abandona os seus pets por falta de recursos. Se as famílias não conseguem alimentar seus filhos como poderiam cuidar dos filhos da natureza?", 

Pensando nisso, a ideia de unir nomes de peso da cena musical resultou em um trabalho que conta com composições do poeta ao lado de Sérgio Sá e Cris Reis. Entre os intérpretes, estão como Carlinhos Brown, Jorge Vercillo, Elba Ramalho, entre outros.

Toda a renda obtida com a venda do CD será destinada para instituições parceiras que defendem a causa animal.

"Mais de 60 seres humanos unidos para dar voz a quem não pode falar", diz o encarte do álbum, que pode ser adquirido através do e-mail uuti@terra.com.br ou pelo telefone (11) 99712-8700, por R$ 20.

"A ideologia dos bichinhos, garanto, é bem primitiva: comer e sobreviver, para poderem continuar nos dando seu amor incondicional", ressalta o poeta.

Além de ter mais de 130 livros publicados, Ulisses também exerce outra função: a de vendedor.

"Compra uma balinha para ajudar o poeta a continuar poeta, doutor", é assim que o escritor aborda os seus clientes nos faróis de avenidas movimentadas de São Paulo. Ulisses conta que sempre viveu para a poesia e viu os seus direitos autorais zerarem, por isso pensou em uma alternativa para aumentar sua renda.

"Poeta também precisa comer, pagar IPTU, enfim, sobreviver. Os animais não têm culpa de nada nessa selva de pedra que criamos. Cada saquinho de balinhas que vendo significa comida na boca dos peludinhos", finaliza.

Fonte: BOL

terça-feira, 17 de outubro de 2017

LENDO A CANÇÃO

Por Leonardo Davino*




Fecho encerro

A canção, o teatro, a escultura, a arquitetura, a pintura, a poesia são linguagens em progresso, são exercícios de experimentação do gesto artístico. Até chegar ao formato consolidado que temos hoje – e que, por resistência e conformismo com o mercado, ainda vai imperar por longo tempo – a canção passou (passa) por várias transformações. Muitas dessas impostas pelo suporte. Mas, se no século XX a forma-canção parecia definitivamente assentada, consensualmente, os sons eletrônicos e a internet vieram destruir essa certeza. São muitas e descentradas as possibilidades de se fazer canção hoje.
Penso que compramos por muito tempo (por vezes acho que não a entendemos e/ou forçamos sua pertinência para nós brasileiros) a impossibilidade de transmissão da experiência, tal e qual Walter Benjamin nos apresentou e Adorno referendou. Embora esse tenha feito revisões no conceito de “aura”. Mas, pergunto-me: sendo as experiências outras, num mundo outro, cada vez mais veloz, as transmissões não precisam se realinhar? Há impossibilidade ou os canais de transmissão e recepção ficaram obsoletos?
Pensando sobre essas e outras questões, posso sugerir que o disco Nem (2014) é mais um trabalho de excelência de Cid Campos. Da primeira – canção que dá título ao disco e parece dialogar com “Uns”, de Caetano Veloso – à derradeira canção, Nem é Cid Campos dando forma sonora à forma verbal. Mas é mais que isso: há um desejo arcaico e moderno muito bem engendrado.
Não citei Caetano Veloso à toa. Caetano gravou “Circuladô de fulô”, trecho daproesia Galáxias, de Haroldo de Campos. “Fecho encerro”, gravada por Cid como canção, vem da mesma obra literária de Haroldo. E é sobre esse trabalho de musicar a palavra escrita que quero comentar, já que Cid Campos tem desempenhado tão bem tal função poemusística. Em Nem, por exemplo, temos textos de Rimbaud, Emily Dickinson e Augusto de Campos. Além do já mencionado texto de Haroldo.
No livro Galáxias o trecho que inicia com “Fecho encerro”, metalinguisticamente, encaminha o texto para o fim. Por sua vez, a voz de Cid Campos entra no ritmo passional de um livro que finda. Ele faz da voz de um narrador literário a verdade do sujeito da canção que encerra o disco.
Para tanto, Cid Campos alonga vogais e faz semi-pausas e pausas próprias da voz, do ato de falar e cantar. Ele age sobre um texto sem vírgulas nem pontos finais. Um texto que pede a interferência do leitor na construção significativa do percurso sonoro. Aliás, Galáxias é uma obra cuja estrutura permite mobilidades e construção de significações no trânsito entre materialidades possíveis. O trecho que se inicia com “Fecho encerro” destacado por Cid Campos é grafado em itálico, assemelhando-se à primeira página (“E começo aqui”), mas diferenciando-se do restante de todo o miolo (travessia) do livro. Encerrar como quem inicia. Eterno retorno.
Importa lembrar que, encartado ao livro Galáxias, o CD Isto não é um livro de viagem, traz Haroldo de Campos lendo sua escrita. Inclusive a página “Fecho encerro”. Mas se ali a voz do poeta é fala, com Cid Campos é canto, gestualidade cancional. Com Haroldo, a cítara de Alberto Marsicano; com Cid, além de suas guitarras, seu baixo e seu teclado solo, temos o teclado de Moisés Alves e a bateria de Alexandre Damasceno, oferecendo os sons cósmicos que as galáxias pedem. Em Haroldo, a entoação. Em Cid, a canção, a semiótica da melodia em movimentos de distensão e tensão: andamentos, deslocamentos, acelerações, recuos, pausas.
Como sabemos, o fato de alguns poemas terem a palavra “canção” no título não confere cancionalidade implícita ao poema. Aliás, temos canções cujos títulos são “Canção necessária”, “Canção que morre no ar”, “Canção pra você viver mais”. Bem como “Poema”, “Estado de poesia”, “Poesia”. Adriana Calcanhotto, por exemplo, inspirada por um poema de Wally Salomão, lançou um disco chamado A fábrica do poema (1994). É por aí, nessas afirmações da impureza das linguagens que podemos ouvir Cid Campos cantando, por exemplo, “me libro enfim neste livro”. O disco como livro: “como” do verbo comer. Temos aqui um questionamento das categorias, ou das tipologias, livro e disco.
Dito de outro modo, quando lemos mentalmente um poema imaginamos entoações, melodias, mas cabe a um cancionista traduzir, ou não, a linguagem verbal em linguagem cancional. Defendo que não devemos mais confundir poemas que pagam tributo às cantigas medievais – de amor, de amigo, de maldizer –, e que mais tarde foram assentadas em canções líricas populares e, depois, com a difusão da escrita, em poemas lírico/dramáticos, com aquilo que hoje entendemos – depois de Luiz Tatit, principalmente, aqui no Brasil – por canção.
Achar que canção é poesia musicada reduz a potência da canção enquanto linguagem artística e mantém a hiper-valorização da poesia escrita. Creio que Caetano Veloso respondeu a essa, a meu ver, falsa dicotomia quando cantou “Minha música vem da / Música da poesia de um poeta João que / Não gosta de música // Minha poesia vem / Da poesia da música de um João músico que / Não gosta de poesia”. Ou seja, canção é um “outro retrato”, aglutinador, porém diferente. Desse modo, o que Cid Campos apresenta em “Fecho encerro” é canção.
É importante observar: Galáxias não é um livro de canções. Assim como um livro de partituras, ou de letras de canções, também não é um livro de canções. A canção só é no instante-já cancional. No entanto, exatamente, por não ser canção, Galáxias pode ser, digamos, cancionável no trabalho do cancionista. Cid Campos demonstra isso.
Reforço: a letra de canção não é a canção. Por sua vez, a versão instrumental de uma canção é música, é trabalho do musicista, não do cancionista (que podeacumular funções), deixou de ser canção, já que suprimiu a voz de alguém cantando. Canção é performance vocal calcada na intencionalidade do emissor e na necessidade do receptor. Essa definição, obviamente, difere, por questões contextuais, sociais, éticas e estéticas, por exemplo, das trovas de Arnaut Daniel, dos lieder e, também, das songs without words de Schubert ou Mendelssohn.
Em “Fecho encerro”, Cid Campos aponta a restauração da voz do texto, a partir dos esquemas rítmicos oferecidos pelo próprio texto, libertando-o do silêncio da página e/ou da memória sonorafetiva do leitor. Cid encontra uma forma-canção transmissora da experiência do encerramento, ao capturar uma das possíveis dinâmicas vocais do texto. Ele localiza a abertura para a ponte que liga uma linguagem (palavra escrita) à outra (palavra cantada), posto que as linguagens estejam sempre negando suas auto-suficiências. Nesse sentido, uma está sempre aberta a outra, puxando a outra, supondo a outra.
Memória e imaginação são mecanismos utilizados pelo cancionista a fim de “melhor cantar”. Vem daí a eficácia do trabalho de Cid Campos. Não é o texto cabendo na voz, porém, o amálgama. Aqui não interessa colocar a poesia escrita em primeiro lugar. A canção é voz. Não saber sobre o que a letra trata também é um modo de ouvir canção. Dançar é outro jeito de ouvir. Viajar no som também. A palavra-som já basta. Não é preciso a palavra-sentido. Feito desse modo, o gesto de “musicar um poema” é, em si, uma teorização do próprio gesto, um ordenamento, uma posição ética, um investimento estético. No mais: “me zero não canto não conto não quero”.


***

Fecho encerro
(Cid Campos / Haroldo de Campos)

Fecho encerro reverbero aqui me fino aqui me zero não canto não conto não quero anoiteço desprimavero me libro enfim neste livro neste vôo me revôo mosca e aranha mina e minério corda acorde psaltério musa não mais não mais que destempero joguei limpo joguei a sério nesta sêde me desaltero me descomeço me encerro no fim do mundo o livro fina o fundo o fim o livro a sina não fica traço nem sequela jogo de dama ou de amarela cabracega jogo da velha o livro acaba o mundo fina o amor despluma e tremulina a mão se move a mesa vira 







* Pesquisador de canção, ensaísta, especialista e mestre em Literatura Brasileira pela Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ) e doutor em Literatura Comparada, Leonardo também é autor do livro "Canção: a musa híbrida de Caetano Veloso" e está presente nos livros "Caetano e a filosofia", assim como também na coletânea "Muitos: outras leituras de Caetano Veloso". Além desses atributos é titular dos blogs "Lendo a canção", "Mirar e Ver", "365 Canções".

EM MANO QUE ZUEIRA, JOÃO BOSCO FAZ PARCERIAS COM OS FILHOS

Em Mano Que Zuera, João Bosco inaugura parcerias com Arnaldo Antunes e Roque Ferreira


No dia 15 de novembro, João Bosco, 71 anos, será homenageado na cerimônia do 18° Grammy Latino, em Las Vegas 


Mano Que Zuera, novo disco de João Bosco, lançado após oito anos sem trabalho de inéditas, é reflexo de uma ação em família. A alma do disco, claro, é “joãobosquiana” em toda sua essência, mas a presença de seus filhos está ali, em evidência ou nos detalhes. Seu filho, o escritor, compositor e filósofo Francisco Bosco, é parceiro desde o disco As Mil e Uma Aldeias (1997). Originalmente, João Bosco faria aquele álbum com Waly Salomão e Antônio Cícero, mas, como a entrada dos dois no projeto não foi adiante, Francisco chamou para si a parceria com o pai.

Vinte anos depois, essa parceria entre pai e filho se mostra ainda mais consolidada: além da concepção do novo disco assinada em dupla, das 11 faixas, cinco são de autoria de João e Francisco Bosco. Como a emblemática Onde Estiver. João apresentou ao filho uma música que ele achava que contava uma história, ao estilo de Bob Dylan - e que fugia de seu universo habitual. Pediu para Francisco colocar letra. E, para surpresa de João, ele devolveu aquela música com a história da relação pais e filho: “Onde estiver, sempre trago vocês/Dentro do meu coração”.

“Acho que tanto ele quanto a Julia (Bosco, a filha) devem ter passado um tempo sentindo falta da nossa presença. Aí convocávamos os tios para preencher essa ausência. Quando ele fez essa canção, fiquei feliz porque acabamos preenchendo um pouco aquela ausência de antes. Eu senti isso do mesmo jeito quando a Julia cantou a canção comigo no disco”, completa João, referindo-se à faixa Ultra Leve, que tem participação especial da filha nos vocais.

E, por causa dessas ausências, em algum momento, incomodou estar na estrada? “Não me incomodou em nenhum segundo e eu faria isso tudo novamente. Gosto da malandragem, e eu ouvia muito dos malandros: o que importa é o que vai dar na continuação; na continuação, tem de dar você”, responde o compositor, cantor e violonista mineiro.

Já a canção Duro na Queda lembra que a parceria de João e Aldir Blanc continua a pleno vapor. É inédita, mas, à primeira audição, há quem possa jurar que seja um clássico de Bosco e Blanc. “Fui musicando esse texto e ele foi se transformando num samba, mas ele flui muito naturalmente. Tem essa coisa desse samba clássico do subúrbio carioca, isso é uma coisa que a gente fez muito, aprendeu, tem uma certa experiência nisso”, afirma João.

Da parceria com Aldir, João resgatou ainda uma antiga composição, João do Pulo, que deságua na versão instrumental de Clube da Esquina n.º 2 (Milton Nascimento/ Lô/ Márcio Borges). “Quando eu estava trabalhando esse disco, essa música me veio de novo, mas não me veio sozinha: já me veio com fragmentos de Clube da Esquina n.º 2”, diz João. Há outras regravações especiais: Sinhá, de João e Chico Buarque, desta vez, num clima cabo-verdiano e muitas cordas, e Coisa n.º 2, de Moacir Santos.

No coração de pai de João cabem também os novos parceiros de música. E o disco Mano Que Zuera marca duas estreias: com Arnaldo Antunes, em Ultra Leve, e com Roque Ferreira, em Pé-de-Vento. Bethânia aproximou Roque e João. Já no caso de Arnaldo, “esse já era um encontro marcado” faz tempo. “Já nos encontramos outras vezes, anteriormente, e sempre falamos sobre uma possível parceria”. Uma parceria se esboçou nos bastidores de um programa de TV, mas não se desenvolveu depois. Mais recentemente, João estava fazendo um bolero meio bossa-novista, e se lembrou de Arnaldo. Às vésperas de entrar em estúdio, João recebeu de Arnaldo a letra da música, em sintonia com aquele cenário musical criado por João. “É uma canção em que ele mapeia o Rio de uma forma muito bonita, porque ele não deixa escapar nenhum lugar da cidade, da zona sul à oeste, ao subúrbio.” João, então, chamou a filha Julia para participar da faixa. “Por ser uma canção do Rio, achei legal ter uma voz masculina e uma feminina”.


SERVIÇO
Mano que Zuera - João Bosco
11 faixas
Som Livre
Quanto: R$ 29,90


Fonte: O Povo

ED MOTTA DESABAFA SOBRE PROBLEMAS FINANCEIROS: 'UM ANO SEM PAGAR CONDOMÍNIO'

Músico atribui dificuldades à polêmica provocada por ele em 2015 antes de iniciar uma turnê na Europa


Cantor estreia novo show nesta quinta-feira, em São Paulo. Foto: Facebook/Reprodução

Após uma declaração polêmica, na qual criticou os fãs brasileiros, Ed Motta revela estar passando por necessidades financeiras. Em 2015, prestes a iniciar uma turnê pela Europa, o músico fez uma postagem na internet chamando de "simplórios" os brasileiros que iam a seus shows no exterior. Prestes a voltar aos palcos, ele concedeu uma entrevista à rádio Jovem pan e admitiu ter se arrependido. 

"Errei terrivelmente na forma como reagi com as pessoas na internet e me arrependo amargamente, mas no Brasil, não vale a pena ser honesto", afirmou. "O problema de pôr a cara a tapa é um ano sem conseguir pagar meu condomínio. Fecharam as portas para mim e eu fiquei um ano passando necessidade. Virei uma espécie de Hitler", afirmou. 

Na época, o sobrinho de Tim Maia fez uma publicação no Facebook em que afirmava que o seu verdadeiro público na Europa era composto por pessoas "cultas", que não gritavam nomes de times ou pediam para ele falar português. "Verdade seja dita, que meu público brasileiro de verdade na Europa, é um pessoal mais culto, informado, essas pessoas nunca gritaram nada, o negócio é que vai uma turma mais simplória que nunca me acompanhou no Brasil, público de sertanejo, axé, pagode, que vem beber cerveja barata com camiseta apertada tipo jogador de futebol, com aquele relógio branco, e começa gritar nome de time", disse ele.

Mês passado ele estreia o show Baile do flashback, no Bourbon Street, em São Paulo, e vai tentar ser mais pop do que em suas usuais apresentações. Em entrevista ao blog Música em letras, da Folha, ele revelou que teve dificuldades em lançar o disco AOR (2013) no Brasil. "Nos últimos quatro anos sobrevivo praticamente do mercado europeu. Hoje o que paga as minhas contas é o meu trabalho nesse mercado", contou.


Fonte: Estado de Minas

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