PROFÍCUAS PARCERIAS

Em comemoração aos nove anos de existência, nosso espaço apresentará colunas diárias com distintos e gabaritados colaboradores. De domingo a domingo sempre um novo tema para deleite dos leitores do nosso espaço.

INTUITY BORA BORA JANGA

Siga a sua intuição e conheça aquela que vem se tornando a marca líder de calçados no segmento surfwear nas regiões tropicais do Brasil. Fones: (81) 99886 1544 / (81) 98690 1099.

UM NOME POR TRÁS DA CANÇÃO

Um dos mais produtivos compositores da música brasileira ainda em atividade, Bráulio de Castro não pára de produzir nos mais variados gêneros da música popular brasileira, em especial a pernambucana.

SENHORITA XODÓ

Alimentos saudáveis, de qualidade e feitos com amor! Culinária Brasileira, Gourmet, Pizza, Vegana e Vegetariana. Contato: (81) 99924-5410.

COMANDANDO O BLOCO DO AMOR, BEATRIZ RABELLO ESTREIA EM GRÁCIL PROJETO

De nobre linhagem, a intérprete estreia em disco onde dá voz a grandes nomes e conta com a participação de um dos ícones da MPB.

HANGOUT MUSICARIA BRASIL

Em novo canal no Youtube, Bruno Negromonte apresenta em informais conversas os mais distintos temas musicais.

domingo, 26 de março de 2017

EDUARDO LAGES, 70 ANOS

sábado, 25 de março de 2017

PETISCOS DA MUSICARIA

Por Joaquim Macedo Junior


SÉRIE “AS MINAS GERAIS” – COZINHA MINEIRA

Cozinha Mineira: café da manhã; chá da tarde


Aqui em São Paulo há algumas décadas, tinha convicção de que o ‘Tutu à Mineira’ era a matriz do meu habitual ‘Virado à Paulista’.

Vamos começar esta parte da viagem desfazendo essa máxima. Saibam todos que aqui me ouvem que os bandeirantes levaram o virado para Minas Gerais, onde o prato se converteu no tutu à mineira.

E a grande diferença é que o tutu mineiro é feito com feijão moído e o virado a paulista feito com grãos inteiros. (Está nos compêndios de gastronomia). O pior é que aprendi a versão errada justamente na capital bandeirante.

Pois bem, nesta passagem por um dos pontos mais importantes de Minas e do Brasil, as cidades históricas que compõem a Estrada Real e a dos Inconfidentes pensava em passear, conhecer os lugares, os museus-cidade, a prosódia, as alterosas, os pontos de atração, as obras do Aleijadinho, o moderníssimo acervo e saudável ambiente de Inhotim, mas não pontuei um dos quesitos mais característicos da terra, que é a gastronomia.

Sabor é memória, memória é cheiro, cheiro é sensualidade. Descobrimos a diferença gritante do tutu para o virado e um punhado de comidas, comidinhas, guloseimas e muita novidade.

Restaurante mineiro: mais um frango com quiabo


Para mim, a maior delas foi a dupla, presente em quase todos os restaurantes, self service, lanchonetes e botecos foi ‘frango com quiabo’. Sei que não há unanimidade quanto ao quiabo (longe disso), mas sou quiabo-maníaco, desde que morei na Bahia, nos 1970.

Cafezinho gostoso no CBBB, praça da Liberdade


Um panorama da comida mineira:

A carne de porco é muito presente, sendo famosos o ‘tutu com lombo de porco’, costelinha de e o ‘leitão à pururuca’. São apreciados a ‘vaca atolada’, o feijão tropeiro com torresmo, a ‘canjiquinha com carne (de boi ou de porco)’, linguiça e couve, o frango ao molho pardo com angu de fubá, o ‘franco com quiabo ensopado e arroz com pequi’.

São famosos os doces mineiros, especialmente o doce de leite (hum), a goiabada e a paçoca. O pão de queijo (vá no natural, fuja das franquias), os queijos (e o seu modo artesanal de preparo) e o café também estão entre as principais referências da cozinha mineira.

Muitos pratos têm origens indígenas, cuja culinária era predominantemente à base de mandioca e milho e teve incremento dos costumes europeus, com a introdução dos ovos, do vinho, dos quentes e dos doces.


Alguns dos melhores

É passeio, mas vale a pena dar nota e classificar pelos itens tradicionais de sabor, variedade, higiene geral, ambiente, físico e de receptividade, relação preço/consumo e assim por diante. Faço isso pelo prazer de ressaltar os que mais gostei e, quem sabe, indicar a algum amigo que por aquelas terras vá passar. Nem fiz freela pela 4Rodas.


01) ‘Sabor Rural’, tudo feito na hora, comida mais primitiva de Tiradentes – nota 10;

02) ‘Parada do Conde’, em Ouro Preto; foi um encontro de sabores, amizades e simpatias recém concebidas. O Ricardo e a Poliana fazem o casal perfeito no atendimento, graça e profissionalismo, sem perder o humor. Eu degluti ou degustei um prato de carne, mas fiquei encantada com a polenta, deliciosa e esparramada no prato. Foi mais que um grande almoço meus amigos. Trilha sonoro de primeira – nota? 10.;

03) “O Bar do Museu do Clube da Esquina’, do qual aqui já falei em outras colunas é imperdível. Falem com a Virginia, sabe tudo, amiga de todos os Borges – 10, claro;

04) Por fim, o ‘Tamboril’, principal restaurante do Instituto Inhotim. Primeiro, conhecer d. Naílde, uma figura simpaticíssima e disposta a tirar todas as dúvidas dos clientes sobre os cordeiros e demais iguarias. Afinal, ela é a Chief do Tamboril e de todos os locais de alimentação do Inhotim, inclusive do Helio Oiticica. Outro 10.

Semana que vem, tem mais…

UM NOME POR TRÁS DA CANÇÃO

Um dos mais produtivos compositores da música brasileira ainda em atividade, Bráulio de Castro não pára de produzir nos mais variados gêneros da música popular brasileira, em especial a pernambucana

Por Bruno Negromonte


Resultado de imagem para Bráulio de castro

Se há uma única palavra que poderia ser associada a história do compositor dentro da música popular brasileira seria ressentimento. Salvo os compositores/ intérpretes, poucos são aqueles que tem o seu trabalho por traz das canções reconhecido. Infelizmente é uma questão erroneamente cultural e que, com o passar dos anos e o advento das novas tecnologias, tem acentuado essa hábito de modo que em rádios, sites, aplicativos e programas de TV só há destaque para o intérprete. No entanto é preciso reconhecer a importância e o valor de tais profissionais que conseguem através de inspiração e transpiração produzirem canções pontuadas pelas mais distintas características. Pensando nisso, em 2013, o então deputado federal paulista João Paulo Cunha apresentou o projeto de lei n.º 5.985, onde dispõe sobre a regulamentação do exercício da profissão de compositor e dá outras providências. Neste projeto de lei o autor busca o reconhecimento da atividade de compositor como profissão artística, pois os considera de suma importância na formação cultural de um povo. Segundo o mesmo projeto as emissoras de rádio devem, obrigatoriamente, divulgar o nome dos compositores das obras musicais veiculadas em sua programação e o descumprimento do disposto sujeitará as emissoras infratoras em um primeiro momento ao pagamento de multa, caso haja reincidência a os canais de comunicação poderão ensejar a interdição por período de até 30 (trinta) dias. No entanto o que se ver rotineiramente nos mais distintos espaços é a omissão daqueles que compõem. Raramente há a divulgação dos autores e isso acaba por privar o grande público de conhecer expressivos nomes que ficam no anonimato por traz de versos e melodias.


É neste adverso contexto que Bráulio de Castro se encontra. Natural de Bom Jardim, município localizado no Agreste pernambucano e localizado a pouco mais de cem quilômetro da capital do Estado, Bráulio traz em seu gene essa aptidão para a música a partir do seu avô paterno que, no ano de 1922, fundou a Banda de Música Grêmio Litero-Musical Bonjardinense. É válido frisar que o seu interesse por música vem desde a infância como o próprio compositor recorda. Ao mudar-se para o Recife, o pretenso compositor resolveu investir na carreira e por volta dos dezoito anos tem a sua primeira composição, um frevo, gravada pelo músico Martins do Pandeiro, e posteriormente tem um frevo de sua autoria registrado por Claudionor Germano, maior e mais notório intérprete do gênero. Daí em diante, ao mudar-se para o Sudeste a sua carreira como autor deslanchou. Ao mudar-se para São Paulo, o autor pernambucano teve como primeiro intérprete o saudoso Noite Ilustrada, que gravou uma marcha carnavalesca de autoria do pernambucano. Daí em diante o leque de intérpretes e parceiro vem se estendendo até os dias de hoje, pouco mais de cinco décadas depois de sua primeira composição gravada. Dentre seus intérpretes, Bráulio pode enumerar nomes dos mais variados gêneros tais quais Miltinho, Genival LacerdaElza Soares, Alcione, Wilson SimonalJair Rodrigues, Benito de PaulaGermano Mathias, Jackson Antunes, Maria Alcina, Nando Cordel, Fafá de Belém, Luiz GonzagaLuiz AméricoAlcione, Alcymar Monteiro, Caju e Castanha, Flávio JoséMaciel Melo, Walmir Chagas, Dominguinhos entre outros tantos nomes da música popular brasileira de expressão local e nacional que cantam e decantam o seu amor pelos mais distintos ritmos e gêneros musicais existentes em nosso país sempre de modo desenvolto e muito original. 

Criador nato, o autor desdobra-se em confetes, serpentinas, zabumbas, sanfonas, pandeiros, e tantos outros instrumentos que representam os mais variados ritmos existentes em todo o território nacional. São frevos (de bloco e canção), forrós, sambas e maracatus que vem adornando a cultura pernambucana ao longo dos últimos cinquenta anos a partir dos mais distintos temas. Para ser mais preciso, desde  1964, quando o próprio gravou pelo Selo Verdi o frevo "Além de mim" e o saudoso "formigão" Cyro Monteiro gravou o samba "Maria Luiza". Sem contar a participação em diversos festivais, onde apresentou composições como "Cem anos de Monteiro Lobato - Antes Que Acabem As Flores", "Recado de Adoniran para Arnesto", "Maracatu Quilombo" e "Bloco para Getúlio Cavalcanti" (composições que alcançaram o 1º lugar respectivamente nos concursos "Frevança" e Festival "Recifrevo"). Dentre alguns de seus trabalhos, há dois que merecem significativo e merecido destaque. São os discos "Bom Jardim, terra da música e das flores de ouro" e o álbum "Minha terra", ambos dedicados ao seu torrão natal. 

Bráulio de Castro assemelha-se a uma fonte que parece nunca secar. São mais de 300 composições gravadas e tantas outras ainda inéditas que permite-nos compará-lo a um grande rio sonoro onde a musicalidade brasileira a partir dos mais distintos gêneros são verdadeiros afluentes que alimentam a criatividade do artista e este, concomitantemente, devolve aos ouvidos presentes nas margens ribeirinhas uma rica e inebriante sonoridade que alcança os mais variados rincões a partir de uma gama de ritmos e uma luta diária. Um embate onde a falta de qualidade a princípio até acha-se sem vantagem agora, mas ao longo do tempo tudo se esvai restando apenas aquilo que atemporaliza-se por sua qualidade tal qual o trabalho de nomes como o de Bráulio e tantos outros que escreveram e continuam a escrever a história da MPB. Uma luta onde o reconhecimento dessa imprescindível profissão perpassa por uma série de fatores que já deveriam estar maturados na cultura musical brasileira, mas infelizmente até então deixa-se muito a desejar. Uma luta diária para que contexto atual seja revertido, onde haja uma reestruturação profunda no modo como se ver a produção cultural em nosso país a partir da figura do compositor, profissionais estes, que como o próprio projeto de lei citado ao longo do texto diz "atuam como peça fundamental para um dos nossos mais consumidos e exportados produtos: a música brasileira".



Maiores Informações

25 ANOS SEM GILBERTO ALVES


EM 'UMA HISTÓRIA DO SAMBA', LIRA NETO APRESENTA AS ORIGENS DO GÊNERO

Em entrevista ao Correio, o autor fala sobre a pesquisa, o livro e as mudanças no estilo

Por Nahima Maciel


O livro apresenta também imagens históricas relacionadas ao samba 


A história do samba é povoada de anti-heróis. Por mais que nomes como Ismael Silva, Cartola e Hilário Jovino Ferreira tenham sido sacralizados, é em um meio muitas vezes povoado por histórias policiais e protagonizado por personagens à margem cujos rostos a classe média carioca preferia não ver, que nasceu o gênero mais popular da música brasileira. São as histórias desses anti-heróis e de como suas realidades pautaram o nascimento do samba que Lira Neto narra em Uma história do samba (As origens), o primeiro volume de trilogia destinada a esmiuçar a trajetória do gênero.

Pelo telefone, gravado por Donga em 1917 e cujo centenário é celebrado neste ano, pode ser considerado o marco das origens do samba, mas Neto escolheu o ano de 1890 para dar início a essa narrativa. O primeiro volume segue até 1930, embora o autor avance um pouco sobre a década de 1940, quando o samba se tornou o gênero mais gravado do Brasil.

Ao pesquisar sobre Getúlio Vargas para a monumental biografia lançada entre 2012 e 2013, o jornalista cearense se deparou com o ambiente cultural efervescente da primeira metade do século 20. “Foi exatamente naquela época que o samba, saindo dos espaços da marginalidade, passou a ser apropriado e alçado à condição de símbolo máximo de uma pretendida identidade` nacional´. Assim, escrever sobre ele é um desdobramento quase natural de minhas pesquisas anteriores”, garante.

Em uma narrativa nada linear e focada em personagens, Neto navega pela história por meio das figuras que configuravam a cena carioca das origens do samba. O autor não se prende a uma cronologia, o que ajuda a desenhar um cenário do Rio de Janeiro da época. A opção rendeu os melhores momentos do livro, iniciado com um episódio de 1945 protagonizado por Heitor Villa-Lobos e pelo maestro inglês Leopold Stowoski, quando os dois juntaram uma turma de bambas da mangueira para gravar um disco de música brasileira em um navio uruguaio ancorado no porto do Rio. Stokowski queria levar o material para um festival de folclore, mas nem o festival nem o disco chegaram a ser concretizados.

O encontro, no entanto, dá o tom do quanto o samba já atraía a atenção da elite brasileira em meados da década de 1940, realidade bem diferente daquela vivida pelos sambistas no início do século. O gênero surgiu marginal e seus inventores não eram exatamente heróis. Boa parte das fontes de Neto, além da bibliografia obrigatória, foram jornais, gravações e documentos variados, especialmente os boletins de ocorrências, folhas corridas e inquéritos policiais garimpados em arquivos públicos e particulares

“No caso do samba, uma manifestação popular que possui uma narrativa construída com lastro em forte tradição oral, o desafio foi cotejar essa memória coletiva do gênero com a documentação disponível, ora para confirmar versões, ora para relativizar mitologias”, avisa o autor.


Marginalidade

Personagens que viveram por mais tempo, como Pixinguinha (1897-1973) e Ismael Silva (1905-1978), construíram em torno de si uma mitologia, mas boa parte deles viveram em condições marginais e foram alvo permanente de preconceito social e das políticas higienistas da época. “De início, eram invisíveis aos olhos da imprensa, discriminados pela sociedade que os rodeava e, nesse cenário, produziram a sua própria narrativa, estabelecendo seus mitos fundadores, seus próprios heróis — ou seus anti-heróis, melhor seria dizer”, diz o autor.

Segundo ele, os bambas foram hábeis em reconstituir as próprias trajetórias durante entrevistas e depoimentos. “Mas o pesquisador não pode se restringir e se submeter às verdades autocongratulatórias construídas pelos próprios protagonistas”, aponta Neto. “A memória é seletiva e construída. Daí ser importante a pesquisa em outras fontes.”

No início, escolas de samba, blocos de carnaval e o próprio gênero eram vistos com olhar enviesado pela elite brasileira. Foi apenas a partir de da década de 1940, graças a conjuntos como o Época de Ouro e a popularização do rádio, que o samba passou a interessar também nos grandes salões da cena carioca. Mas essa parte fica para o segundo volume da trilogia de Lira Neto.


Entrevista/ Lira Neto

A história do samba é uma parte mal documentada e pouco explorada da nossa história, embora seja um gênero tão popular?

É sempre desafiador fazer pesquisa histórica no Brasil devido ao estado precário das fontes arquivísticas e ao pouco caso com que é encarada a preservação da memória nacional. Some-se a isso o fato de os principais protagonistas dessa história terem vivido em condições marginais, sendo alvos permanentes do preconceito social e das políticas públicas higienistas então em curso.


Quais foram os personagens mais difíceis para a pesquisa e por quê?

Sem dúvida, as maiores dificuldades se concentraram na reconstituição das trajetórias dos personagens da primeiríssima geração, como Hilário Jovino Ferreira, o Lalu de Ouro, pela simples distância cronológica. Circunstância que foi agravada pelo fato de que, naquele momento, o samba ainda não havia sido absorvido pela então nascente indústria do entretenimento — e seus personagens, portanto, ainda viviam em situação de marginalidade e invisibilidade social.


Você fala das queixas de “perda de autenticidade do samba”. Qual o lugar desse gênero musical no Brasil de hoje? 

O samba, assim como qualquer manifestação da cultura popular, está sempre se reinventando, incorporando novas influências. Querer que a cultura popular — e o samba, por extensão — fique congelada no tempo, em nome da sacralização do que ela teria de “genuína” e “autêntica”, significaria relegá-la à condição de folclore. E a folclorização nada mais é do que a mumificação da tradição, a verdadeira morte da cultura. Essa questão, como tantas outras, é mais complexa do que aparenta. O processo de aceitação do samba pelas ditas elites se deu por uma via de mão dupla. Uma manifestação cultural nascida entre pobres, negros, mestiços e marginalizados, tributário da grande diáspora africana, inventou caminhos próprios para conquistar as benevolências do poder e o aplauso das classes bem-nascidas. Para tanto, aprendeu a negociar espaços e a se reelaborar de maneira permanente, antropofágica, orbitando entre os lastros ancestrais da festa e da agonia. Desde que o samba é samba, portanto, é assim: ele transita entre as dimensões antagônicas da resistência e do controle social e trafega nos intercursos entre a potência criadora e as engrenagens normatizadoras do mercado.

O que acha da proibição de marchinhas antigas, hoje consideradas politicamente incorretas? E de letras explícitas de hits como Deu onda?

Ora, qual seria a alternativa a isso? Normatizar o carnaval, impor modelos e padrões aceitáveis aos ouvidos ditos ilustrados e bem-educados? Higienizar algo que é anárquico e libertino por vocação? Boa parte da produção dos primeiros sambistas, como Caninha, Ismael Silva e Sinhô, era machista, marcadamente misógina. E aí, o que fazemos? Vamos deixar de ouvir Ismael? Vamos colocar Caninha no índex prohibitorum da música brasileira? Uma obra de arte é fruto das contradições e circunstâncias de seu tempo.


Podemos dizer que o samba é a expressão mais genuína da música brasileira? Qual o papel do gênero na formação da nossa identidade?

Abomino esse termo, “identidade”, que embute em si uma carga ideológica nada inocente. Toda “identidade” é construída, fabricada artificialmente, a partir de generalizações que aplainam e excluem a diferença, o dissonante, o desarmônico. Como podemos falar de “identidade” em um país plural, caleidoscópico, multiétnico, mestiço, como o Brasil? Qual seria, portanto, a “identidade” brasileira? Getúlio tentou forjar a ideia de uma grande identidade nacional e, em seu projeto, chegou a queimar as bandeiras estaduais e proibir os hinos específicos de cada unidade da federação. Tudo em nome da ideia grandiloquente e farsesca de um Brasil único, unitário, onde as diferenças e as particularidades são abolidas por decreto. O conceito de “identidade cultural” é autoritário, arrogante, higienista.


O samba ainda é autêntico?

Quando surgiram os desfiles das escolas de samba, na década de 1930, ainda como simples cortejos artesanais na Praça Onze, veteranos como Donga e Lalu de Ouro esbravejaram, pois julgavam que aquilo era uma profanação de algo que seria “essencial” ao samba, ou seja, o modelo dos velhos ranchos do início do século 20. Pouco mais tarde, nos anos 1950, um bamba como Ismael Silva chiou porque as escolas estariam perdendo a sua proclamada “essência”, a vitalidade que elas teriam, veja só, justamente nos anos 1930, renegados por Donga e Lalu. 

A partir dos anos 1980, principalmente depois da criação do sambódromo, lamentou-se mais uma vez que algo da “potência essencial do samba” havia se perdido, em algum lugar lá pelos anos 1950, desprezados por Ismael. E assim por diante. Não há dúvidas, contudo, de que as atuais escolas procuram reduzir a natureza dos desfiles à lógica empresarial, a uma alegria estereotipada, vendida como produto colorido. Mas isso não se dá apenas com o carnaval e com o samba. É um fenômeno dos tempos que correm, uma característica da voracidade contemporânea, essa que transforma tudo, inclusive a informação, a privacidade, os indivíduos, a literatura, a notícia, em mera mercadoria.



Serviço

Uma história do samba (As origens)

De Lira Neto. Companhia das Letras 368 páginas. R$ 64,90













sexta-feira, 24 de março de 2017

CANÇÕES DE XICO






SOU SÓ UM POETA


nunca fui numa escola
não tive facilidade
hoje só sou o que sou
não tenho qualquer vaidade 
nunca pensei ser ‘doutô’
a vida mais me ensinou
que os bancos da faculdade 

se eu não leio de ‘carreirinha’
eu não posso reclamar
minha caneta é a enxada
onde aprendo o bê-a-bá
o meu livro é a viola
das ‘conta’ que dão na escola
não sei nem a de somar 

posgraduado em carinho
me especializei em beijar 
de cafuné, meu diploma
sou um mestre no cheirar 
e quando maior eu quis ser
foi olhando pra você
que aprendi o verbo amar

soletrando, faço a rima
que minha mente arquiteta 
levar alegria ao povo
sempre foi a minha meta
‘doutô’ eu nunca quis ser 
não sei ler nem escrever
sei muito mais, sou poeta

ANTONIO ADOLFO RELEMBRA MÚSICAS DAS BANDAS 3D E BRAZUCA E DO DISCO "FEITO EM CASA"

Músico se apresenta nesta quinta-feira no Instituto Ling

Por Juarez Fonseca



Mais do que ouvir um pianista histórico, de renome internacional, quem for ao show de Antonio Adolfo no Instituto Ling, hoje, compartilhará duas marcas únicas: ele acaba de completar 70 anos e está comemorando 40 do lançamento de Feito em Casa, primeiro disco independente brasileiro. O roteiro do show tem músicas desse trabalho, do último (Tropical Infinito, de 2016) e de vários momentos da carreira registrados em cerca de 30 álbuns.

O carioca Antonio Adolfo Maurity Saboia (daqui para a frente apenas AA) é músico profissional desde os 16 anos, quando começou a acompanhar cantoras como Leny Andrade no Beco das Garrafas, point dos verdes anos da bossa nova. A partir daí, criou grupos que fizeram época, como o 3D, de bossa 'n' jazz, e a Brazuca, que a isso agregava pinceladas de soul music. Seu auge de popularidade deu-se no início dos anos 1970, com canções em parceria com Tibério Gaspar (falecido agora em 15 de fevereiro), como Teletema — sucesso que ajudou a catapultar a audiência de Véu de Noiva, primeira novela da Globo com assuntos e personagens contemporâneos. Pois, logo depois desse auge, AA decidiu aprofundar os estudos. Entre outros passos, viveu uma temporada em Paris estudando com Nadia Boulanger e, na volta ao Brasil, com o maestro Guerra-Peixe.

— Naquela época eu fazia alimentação natural e compunha sem parceria. Quando voltei ao Brasil, em 1976, resolvi dar aulas de música e fiz gravações como músico e arranjador para muita gente da MPB — lembra AA. — Muitos me perguntavam: "E a Brazuca? Você fez tanto sucesso! Não vai mais fazer música para novela?". Mas eu estava bem mudado. Preferia romper com tudo aquilo.

Seria um rompimento radical, pois, antes de "dar um tempo" para a canção popular, ele também vira o país inteiro cantando Sá Marina, com Wilson Simonal; Juliana, com a Brazuca; e o soul BR-3, que vencera o V Festival Internacional da Canção na voz de Toni Tornado. Ainda era requisitado arranjador e músico de estúdio, gravando com Chico Buarque, Maria Bethânia, Milton Nascimento, Nara Leão, Edu Lobo e muitos mais, além de ter excursionado pela Europa com Elis Regina. A primeira evidência do rompimento a que se refere foi o LP Feito em Casa, gravado aos poucos em um pequeno estúdio no centro do Rio, onde costumava produzir jingles publicitários.


Gravação caseira,capas artesanais

— Resolvi gravar algumas das músicas que havia feito durante esse período de vácuo profissional. Chamei amigos e gravei músicas inéditas, instrumentais. Apenas três eram cantadas, uma por mim, outra por Malu e a terceira por Joyce, sem letra. E assim foi. Tinha um naipe de sopros, com Oberdan Magalhães e Marcio Montarroyos, tinha o Luizão Maia e o Jamil Joanes no baixo, Luiz Claudio Ramos na guitarra, Rubinho na bateria...

Com a fita na mão, AA foi mostrar o trabalho aos amigos que dirigiam as principais gravadoras — afinal, era um músico conhecido, já lançara quatro LPs com o 3D e dois com a Brazuca, além de um álbum solo. Mas só ouviu negativas: "Não estamos interessados, preferimos seu som com a Brazuca etc. e tal". Resolveu pesquisar como poderia lançar o disco sem gravadora.

— O Tim Maia, que havia gravado o LP Racional com aquele pessoal do Universo em Desencanto, me deu algumas dicas. Mas aprendi mesmo foi indo direto à fábrica Tapecar, onde acertei uma pequena tiragem do vinil, e a uma gráfica, onde pedi para fazerem capas sem nada escrito montadas e coladas do lado avesso, com aquela cor de papelão. Escolhi o título Feito em Casa e chamei uns amigos para me ajudarem nas capas. Cada um fazia uma ilustração e escrevia os textos. Assim criamos 50 capas. Como dava trabalho, tive a ideia de fazer dois carimbos, um com o título e outro com meu nome, e comprei almofadas com tintas de cores diferentes. Encomendei 500 discos na fábrica e fomos carimbando-os, cada um de um jeito, daí que não havia uma capa igual a outra.

A imprensa apoiou a iniciativa. Jornalistas passaram a se referir ao sistema de "produção independente". AA vendia os LPs de mão em mão, ia pessoalmente às lojas pedindo colaboração, visitou redações de jornais e estações de rádio, começou a fazer shows. Feito em Casa era um sucesso que não dependia de gravadoras para nada. AA criara seu próprio selo, Artezanal (assim mesmo, com z). Às vezes chegava a vender mais de cem discos depois de um show.

— Resolvi então encomendar 3 mil cópias e parti Brasil afora com minha Belina, meu piano elétrico e caixas de discos. Às vezes chamava músicos do Rio para tocar, às vezes fazia com músicos locais, quando aproveitávamos para discutir sobre a produção independente. Outras vezes corria Brasil afora sozinho com o piano. Nessa hora, os sucessos de antigamente ajudavam muito na penetração na imprensa e rádios, para chamar o público para os shows.

Ao final de 1977, a iniciativa de AA estava consagrada e ele já planejava o segundo disco, Encontro Musical, que sairia no ano seguinte (mas desta vez com capa impressa). E a, digamos, ideologia do disco independente ganhava corpo influenciando muita gente. A partir daí, lançaram seus primeiros álbuns Danilo Caymmi, Luli e Lucina, Francisco Mario (irmão de Henfil), o Boca Livre (que vendeu mais de 100 mil cópias), o pessoal de São Paulo, tendo à frente Arrigo Barnabé e Itamar Assumpção. Em Porto Alegre, Nelson Coelho de Castro lançou Juntos (1981) e Nei Lisboa lançou Pra Viajar no Cosmos Não Precisa Gasolina (1983). Na mesma época começaram a surgir selos independentes, como Lira Paulistana e Kuarup. Nos anos 2000, a produção independente (com ou sem as leis de incentivo) se tornaria regra para a música instrumental, a MPB, o rock e os novos artistas.

— Acho que aquele era um momento histórico-musical propício a isso. As gravadoras estavam fechadas, só aceitavam o padrão comercial tipo novelas, música importada etc. O que eu achava importante era poder gravar e continuar dono da minha música, do copyright. Também fundamental: não haver censura estética. Podia-se gravar o que quisesse, sem ter que dar satisfação aos diretores das gravadoras. E assim é até hoje, um tempo em que a internet passa a ser um canal enorme para usarmos na divulgação, na distribuição etc. Continuo autoproduzindo e distribuindo meus discos, que graças à internet chegam a vários países.

Atualmente, AA se divide entre os EUA, onde costuma gravar, e o Rio, onde dirige a escola de música que criou em 1985, atualmente com 1,3 mil alunos. Tropical Infinito, o disco que está lançando, foi indicado ao Grammy de melhor álbum de jazz latino. São composições próprias e de autores norte-americanos como Horace Silver, Jerome Kern e Benny Golson. Seu selo agora se chama AAM Music.

ARTISTAS LGBT CONQUISTAM ESPAÇOS E TRAZEM DEBATE SOBRE GÊNERO PARA A LINHA DE FRENTE DA PRODUÇÃO CULTURAL

Presente na música, no teatro e em outras linguagens, a diversidade chegou também ao horário nobre da televisão

Por Gustavo Foster



Cantora Valéria Houston, a primeira mulher trans a ganhar o Troféu Mulher Cidadã em Porto Alegre, em 2016Foto: Omar Freitas / Agencia RBS 


Enquanto nos Estados Unidos o presidente Donald Trump ceifa, uma a uma, medidas de defesa à comunidade LGBT implementadas por Barack Obama (sua última foi revogar a liberdade de crianças trans escolherem o banheiro que querem utilizar), no Brasil a questão de gênero é trazida à tona por artistas transexuais, transgêneros, travestis, drags, gays, lésbicas e queers. É uma cena que ganha cada vez mais notoriedade e exposição graças à temática que discute – e, claro, à qualidade dos trabalhos que esses artistas produzem. Do hip hop à novela das 21h, passando por teatro, artes plásticas, literatura, performances e diferentes ritmos musicais, surgem nomes que simbolizam a representatividade social e sua afirmação política.

— Está acontecendo uma revolução, e nós estamos na linha de frente! – decreta a rapper Gloria Groove, uma das maiores expoentes da cena. — Temos formas diferentes, mas fundamento parecido, de trazer o poder que vem de dentro, buscar o melhor das pessoas e sempre incentivar o amor e o respeito pelo que se é.

Dona do hit Império, que canta a ascensão da rapper com os versos "Olha só como o jogo virou / Do nada, cê liga a TV, nós tá na Globo/ E abre espaço pras donas sem torcer o nariz / Que elas já chegam no estilo imperatriz", Gloria é um homem cis homossexual que atua como drag queen. E tem o estilo de imperatriz: começa o videoclipe de cabelão loiro ofuscante, casaco de pele com detalhes em prata, piercing dourado no nariz e maquiagem de diva pop. Nesta quinta-feira, Gloria estará na Globo, integrando o grupo de convidados do programa Amor & Sexo, que vai discutir exatamente a questão de gênero. A escalação se completa com Liniker, As Bahias e a Cozinha Mineira, MC Linn da Quebrada, André Fischer e Cibelle, músicos que fazem parte da chamada MPBTrans, termo cunhado pelo deputado Jean Wyllys (ainda que nem todos os artistas envolvidos sejam, de fato, trans). 


Bons exemplos podem servir de inspiração

A Força do Querer, próxima novela do horário nobre da Globo, também deve turbinar a discussão a partir de abril, falando sobre a situação de transexuais e travestis no Brasil, com direito à atuação de Silvero Pereira, um dos artistas brasileiros que tratam do tema com mais afinco – é ator e criador do grupo de teatro As Travestidas e protagonista da peça BR-Trans – espetáculo dirigido por Jezebel De Carli fruto de uma pesquisa de campo envolvendo travestis, transexuais e transformistas do Rio Grande do Sul e do Ceará.

Pode parecer pouca coisa para quem não vive essa realidade na pele, mas o fato de o assunto chegar à TV aberta é considerado um avanço importantíssimo para a grande maioria dos envolvidos — a televisão está presente em 97,1% das casas do Brasil. Artistas LGBT destacam a importância de expor a questão para que pessoas semelhantes não se sintam, por assim dizer, "erradas".

— Quando eu era criança, não tinha referências. Era encorajada a não ser assim. Tive que criar minha própria identidade a partir de nada — diz a cantora Valéria Houston, a primeira mulher trans a ganhar o Troféu Mulher Cidadã em Porto Alegre, em 2016. — Existe uma gama de pessoas talentosas que precisam de maior visibilidade. Cada bom exemplo que aparece é algo maravilhoso, porque ainda somos relacionados à marginalidade.

Até por isso as palavras usadas são muito caras a quem vive diariamente a militância: ainda que estejam juntos na luta por igualdade e respeito, transexuais e travestis, por exemplo, têm suas batalhas específicas. Por isso, "opção" é uma palavra considerada fora de contexto, bem como generalizações nas terminologias.

— Ser drag king não foi uma opção; foi uma necessidade. Precisava expressar minhas inquietações e encontrei na arte drag uma forma linda de fazer isso — destaca Júlia Franz, que trabalha como drag king sob o nome de León Rojas. — Pude questionar os padrões de masculinidade, me assumir como mulher que foge ao padrão, permitir que meu corpo se transformasse sem nenhuma regra social que o influenciasse.

RuPaul's Drag Race, reality show de drag queens que estreou no final da década passada nos Estados Unidos, ancorado por RuPaul, um homem negro e drag, foi um divisor de águas para Júlia e para grande parte dos artistas da cena recente. A popularidade do programa talvez seja responsável por um dos maiores fenômenos de visibilidade LGBT dos últimos anos. Uma década depois, a situação parece ter mudado.

— Sou da geração em que o grande desafio era sair do armário — lembra Carlos Magno, presidente da Associação Brasileira de Gays, Lésbicas, Bissexuais, Travestis e Transexuais, divertindo-se com (e comemorando) a realidade atual. — Hoje, você vê o mundo hétero incorporando comportamentos, linguagem e gírias. Estão dando mais pinta do que nós!

quinta-feira, 23 de março de 2017

GRAMOPHONE DO HORTÊNCIO

Por Luciano Hortêncio*



"Este tango foi originalmente gravado por Anísio Silva, com lançamento pela Odeon em novembro de 1959. Exatamente um mês depois, a Chantecler pôs nas lojas este registro de Cláudio de Barros, matriz C8P-459, que mais tarde foi incluído no primeiro LP do cantor, "Cinzas do passado"" (Samuel Machado Flho)




Canção: Destino

Composição: Mário Teresópolis

Intérprete - Cláudio de Barros

Ano - 1959

Disco - Chantecler 78-0230-A. 12.1959.



* Luciano Hortêncio é titular de um canal homônimo ao seu nome no Youtube onde estão mais de 10.000 pessoas inscritas. O mesmo é alimentado constantemente por vídeos musicais de excelente qualidade sem fins lucrativos).

DIÁRIO DE NANÁ - PARTE 02

PROGRAME-SE


quarta-feira, 22 de março de 2017

VÔTE... ESCUTA SÓ: PORTUGAL

Por Paulo Carvalho





* Todas as imagens fazem parte do acervo pessoal do nosso colunista.

TUPI OR NOT TUPI, PRÓXIMAS ATRAÇÕES: SILIBRINA • LÉA FREIRE E ARISMAR DO ESPÍRITO SANTO • LÍVIA NESTROVSKI E FRED FERREIRA • ALAÍDE COSTA E LAÉRCIO DE FREITAS

SILIBRINA. Quarta-feira 22 de Março, 21h. Ingresso: R$ 35,00

Septeto criado pelo pernambucano Gabriel Nóbrega, Silibrina faz uma leitura jazzística dos ritmos tradicionais brasileiros – frevo, baião, maracatu. Um som dançante, cheio de brasilidade, jazz e improvisação.
Integram o grupo Gabriel Nóbrega, piano e teclados; Ricardinho Paraíso, baixo; Gileno Foinquinos, guitarra; Wagner Barbosa, saxofone; Natan Oliveira, trompete; Jabes Felipe, bateria; e Matheus Prado, percussão.
O Silibrina está com primeiro disco, "O Raio", prontinho para ser lançado em breve.


"ARISMAR CONVÍVIO", COM LÉA FREIRE. Quinta-feira 23 de março, 21h. Ingresso: R$ 35,00

Arismar do Espírito Santo recebe a flautista e pianista Léa Freire para o show "Ilustradora de melodias".
O encontro de Léa e Arismar é a materialização, em forma de musica, de uma parceria de longa data, que desvenda como no universo dos sons, das melodias, dos ritmos e das harmonias o que conta são a sensibilidade, a emoção e o talento, capazes de transformar ideias em arte.
O projeto "Arismar Convívio" tem “ensaio aberto” das 18h30 às 20h, com ingresso a R$ 20,00


LÍVIA NESTROVSKI E FRED FERREIRA. Sexta-feira 24 de março, 21h30. Ingresso: R$ 35,00

Em doze anos de parceria, a cantora Lívia Nestrovski e o guitarrista Fred Ferreira têm por proposta buscar um distanciamento das maneiras tradicionais de interpretação. Guitarra e voz trançam diálogos e passeiam por diferentes paisagens sonoras através de canções de Milton Nascimento, Tom Jobim, Kurt Weill, Zé Miguel Wisnik e compositores da nova geração. Em 2013 Lívia e Fred gravaram o disco DUO, elogiadíssimo pela crítica e muito bem recebido também no mercado internacional – o que os levou a apresentações por França, Portugal, Hungria, Colômbia, Uruguai, Paraguai e Indonésia.

ALAÍDE COSTA E LAÉRCIO DE FREITAS. Sábado 25 de março, 21h30. Ingresso: R$ 55,00

Uma das grandes divas da MPB e um de nossos mais brilhantes pianistas. Duas lendas que se reúnem para uma apresentação que promete... Alaíde Costa surgiu na cena musical brasileira no início dos anos 1950. Projetou-Ganhou projeção nacional em 1964, quando lançou "Onde está você", canção que se tornou emblemática em sua carreira. Esteve afastada por mais de cinco anos até que em 1972 voltou a brilhar com "Me deixa em paz", gravada em dueto com Milton Nascimento, faixa do LP "Clube da Esquina". A partir de então gravou lançou cerca de 15 álbuns, além de participar de discos de outros artistas. Laércio de Freiras, pianista, compositor, arranjador, maestro, tem uma carreira notável, iniciada na sua Campinas em meados dos anos 1950. Alguns pontos altos: integrou o Tamba 4 (no México, substituindo Luiz Eça), a Orquestra Tabajara de Severino Araújo e o Sexteto de Radamés Gnattali. Atuou, como pianista e arranjador, junto a dezenas e dezenas de grandes intérpretes da MPB, entre eles Alaíde Costa, com quem gravou um disco já em 1965.

SERVIÇO
Tupi or not Tupi – Para os cinco sentidos
Rua Fidalga 360, Vila Madalena, tels. 3813-7404 e e 3817-4488. 
Na internet, tupiornottupi.net.
Acesso a deficientes
Manobristas à porta
Todos os cartões de crédito e de débito
Ingressos à venda pelo site e no local.
Horários de funcionamento:
Shows – quartas e quintas às 21h
Shows – sextas e sábados às 21h30
Restaurante – de quarta a sábado a partir das 19h
Café – de segunda a sábado das 9h às 20h

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